Murilo Oliveira
Brasil, 05 de fevereiro de 2024.
Hoje, 5 de fevereiro de 2024, é aniversário de morte da Matriarca de minha Família: Maria de Nazareth Coelho Antunes de Oliveira. Amanhã, dia 6 de fevereiro, seria o primeiro dia do Calendário Gregoriano, na origem: um Domingo dedicado ao Sol Invictus. Maria de Nazareth, viúva de João Antunes muito cedo, mãe de três filhos de João Antunes, Lais minha mãe, Marília, e João Batista, ficou viúva com os três filhos ainda na primeira infância, João Antunes, falecera de problemas cardíacos logo após servir o Exército. Ele, João Antunes, um dos 22 filhos de Julieta Galvão de França, irmã de Frei Galvão. Carinhosamente chamado de Vô Bilú.
Ela, Vó Lelé, como nós netos carinhosamente a conhecemos, desde a primeira infância uma artista plástica plena, uma verdadeira Sinhá, onde seus pai da Serraria Castro Coelho na Praça da Estação, e sua mãe Benedita Almeida Passos, de Atibaia (Bom Jesus dos Perdões), Dama da Corte, de mesmo Almeida de Sua Alteza Real Sílvia do Reino da Suécia, vizinhos de Bragança Paulista, era lembrada por um dos meus companheiros de barbearia mais querido, Senhor Luzinho da Ford, que dizia que quando Vó Lelé vinha andando uma sua bicicleta, a primeira da cidade, importada da Alemanha, presente do Presidente Getúlio Vargas, corria até o posto em frente a Serraria dos pais dela, em frente a Cooperativa Agrícola, para encher os pneus na bicicleta dela no Posto de Gasolina em frente. Não apenas para mim dizia isso, a fazia ruborizar, quando por exemplo a encontrava no banco e dizia que era a mulher mais bonita de Guaratinguetá.
A Serraria Castro Coelho recebia a Estação Ferroviária ao lado, toras do Paraná, para que japoneses contratados por seus pais, no Liceu de Artes e Oficio de São Paulo, as entalhasse, por exemplo mobiliando a Igreja de Nossa Senhora das Graças de Guaratinguetá, ainda existente. E ela sempre muito afeita a todos esse ofícios, gostaria de ter estudado na Escola de Belas Artes, mas isso não era bem visto na época, e terminou por se casar com João Antunes, outro grande proprietário de terras da cidade. Conta-se que quando houve uma grande geada no Oeste Paulista, apenas a sua plantação de café em Lorena, chamada Fazenda do Carmo, salvou toda produção. E com isso, ele compraria ainda as terras da família, depois desapropriadas, onde hoje existe a Escola de Especialistas de Aeronáutica da Força Aérea Brasileira, em Guaratinguetá.
Com a viuvez precoce, vai estudar Biblioteconomia na PUC de Campinas. E quando retorna, é muito festejada pelo Prefeito de Guaratinguetá da época, que dizia: primeiro é preciso encontrar Nossa Senhora, depois construir a Igreja. Pois a lei determinava que só podiam existir bibliotecas, segundo a lei, desde de que existisse um ou uma, bibliotecária formada em nível superior. Dos tempos em Campinas, apenas me contava muitas vezes, que certamente foi o período mais difícil de Vargas, onde os estudantes a abordavam nos ônibus falando sobre revolução. E assim, fundou as três primeiras bibliotecas de Guaratinguetá: a pública municipal que ainda existe, onde junto de seu irmão Amâncio Passos Coelho, plantou em sua porta um Pau Brasil. Suponho de alguns diálogos nossos, que em virtude do Movimento Pau Brasil de Oswald de Andrade. Ela nasceu em 1922, em plena Semana de Arte Moderna.
Além disso, do trabalho de bibliotecária, de onde tinha o hábito em idade avançada como a conheci, de tomar apenas uma taça de vinho para lembrar muita poesia, costurava também na época para os bailes dos oficiais da Aeronáutica. Noites inteiras, talvez a única fase de sua vida em que foi fumante, como eu sou até hoje, e era bastante raro entre mulheres, e um hábito que ela não preservou além do razoável. Ainda que tenha sido salva de problemas cardíacos por Doutor Zerbine, disciplina que a levou aos 97 anos.
No final da vida, voltou a pintar quadros a óleo, além de se manter muito independente, dirigindo até a idade provecta, a cliente mais antiga da VW da cidade, do Senhor Agostinho Soliva, e desse desejo primeiro, de ser uma artista plástica plena, atribuía suas grandes alegrias. Como por exemplo ser escolhida para ilustrar com um de seus quadros um Selo da Empresa de Correios e Telégrafos do Brasil, na beatificação de Frei Galvão, uma série onde se encontrava Betinho, Madre Teresa, uma quadra de Selos, que já lhe alegrara muito. E seria mais alegrada, quando seus amigos ternos Tom Maia e Thereza Maia, a convidou para pintar para Igreja da Sede Mundial da Fazenda da Esperança, e terminamos por presente-los com um par de quadros de Frei Galvão, Padroeiro da Construção Civil, de sua autoria, para simbolizar a amizade de Frei Hans, fundador da Fazenda Esperança, e o Papa Bento XVI com outro par, que recebeu de presente em sua visita ao Brasil na beatificação de Frei Galvão, no Campo de Marte, em São Paulo Capital. Acreditou até o fim da vida que assim havia atingido a plenitude artística.
Ela faz muita falta para todos nós. Antes de morrer, me fez um pedido: que colocasse em suas mãos um terço de madeira de Oliveira, feito por Famílias Cristãs Palestinas de Belém, que eu comprara para ela das Irmãs Dominicanas Internacionais, do Convento de Santa Sabina, em Roma. E assim, realizei em grande honra, seu último desejo.
@CoexistenceLaw
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