Murilo Oliveira
Brasil, 29 de abril de 2022.
Por onde eu começo? Para contar a história de como um grande amor pode ser. A doce história de amor que é mais antigo do que o mar. A simples verdade sobre o amor que ele traz para mim. Por onde eu começo?
Eu queria começar dizendo que em tempos de guerra total como no fundo o conjunto da obra me parece hoje, ensaia-se a existência de dois lados. Não existem. Vistos do Brasil, talvez sejam apenas antônimos na praxe diplomática de certo tanto da caminhada. Eu faço elucubrações, não chego a ter um lado.
Talvez deva começar pela lógica que me desassiste. A sinergia comercial. Existe para o Brasil forte sinergia comercial com o que já nos acostumamos a chamar de BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China, e Africa do Sul. Esse bloco, e talvez tanto aqui como outros tantos países que não fazem parte do Tratado do Atlântico Norte, e observem bem, não quero contrapor esse bloco a essa aliança militar porque não faria sentido nenhum até onde chegamos e estamos. Por isso mesmo falo dos BRICS em relação a muitos outros países não exatamente alinhados de forma clara, tem aqui no Hemisfério Sul grande sinergia comercial.
Mas sinergia comercial ainda é para alguns mais para outros menos, identidades culturais. Esse para mim é o aspecto mais interessante. Dizia eu há pouco no jantar, um Argentino é um Argentino em qualquer parte do mundo, e eles são meio parecidos, até nos micos que pagam por aí. Mas um Brasileiro não chega a ser uma definição consistente de uma mesma coisa de norte a sul, de leste a oeste do país. A diversidade é imensa. Talvez como certa vez Maradona ordenou a Pelé, devêssemos nós enfiar uma chuteira na boca, somos em geral falastrões, não tão fanfarrões, a fanfarra aqui não repousou mas dá expediente.
E é do meu próprio expediente antônimo que quero falar, nem sempre com a intimidade que gostaria, mas diziam certas meninas letradas, talvez do curso de letras, não me lembro muito bem, diziam que me pareço com Antonio Gramsci. E por isso fui algumas vezes a sua obra. Na realidade tenho leitura muito particular de algumas coisas que esse grande filósofo italiano escreveu.
A principal delas é o conceito de “Hegemonia Cultural”. No meu modo de entender muito próprio em relação as minhas poucas incursões mais detidas por sua obra, hegemonia cultural deveria ser algo fruto de uma leitura a mais pragmática quanto possível. E esse é meu ponto de inflexão sobre os antônimos do mundo hoje.
De tudo a América do Norte e a Europa Ocidental fomos afeitos em quase todas as classes no Brasil, em termos culturais, de consumo cultural, formação acadêmia, pensamento reinante, hábitos de intercâmbio cultural os mais sensíveis nas mais variadas camadas socioeconômicas do país. Eu já nem gosto de me fazer a minha pergunta habitual: faça as contas de quantos filmes de Hollywood você assistiu e quantos filmes de Bollywood (na Índia) você assistiu. Chega a me incomodar quantos bons filmes devo ter perdido.
Então, assim de passagem, queria dizer que estamos apenas no começo.

François Truffaut em “O Quarto Verde” (1978) colecionava fotos de seus ídolos mortos, deixo essa de Antonio Gramsci que encontrei na Wikipedia. Parecido ou não, ocasionalmente é uma dos ídolos que me faz pensar em tantos outros como Truffaut.
@CoexistenceLaw
Share this content: