Murilo Oliveira
Brasil, 1 de dezembro de 2023.
Henry Kissinger, falecido aos 100 anos, até hoje é responsabilizado pelas chagas ainda abertas da América Latina, e suas ditaduras. Claramente um de seus méritos talvez foi praticar em defesa dos Estados Unidos da América uma política que ficou conhecida como “equilíbrio de poderes”, especialmente no contexto da Guerra Fria.
No Brasil, vamos ter repercussões que eu atribuo a essa visão após a democratização, qual seja, na gênesis do Partido da Social Democracia Brasileira, e do Partido dos Trabalhadores, havia talvez um dado que remetia a esse “equilíbrio de poderes”, que seria possivelmente uma alegoria do deus grego “Jano”, que tem uma face para cada lado. Uma face do Brasil para cada lado da Guerra Fria, sem aquela altura saber o que seria dos destinos do mundo, e qual face da Guerra Fria viria a sair vencedora.
Vamos observar alguma turba quanto a isso, antes de fazer suposições sobre qual lado saiu vencedor da Guerra Fria. O Ocidente começa a municiar de alguns valores caros para a civilização, como a defesa da mulher, dos gays, dos negros, e dos ricos. De minorias em geral, de uma forma democrática e liberal. Quer dizer, antes da turba quanto a engenharia institucional das democracias nos países Ocidentais e suas sustentações, que no período recente bota em xeque qual lado venceu, temos que considerar essa grande e verdadeira turba que é a defesa das minorias, mulheres, gays, negros, e ricos.
Não existe, em muito das Ciências Sociais, acumulo, como eu sempre alego aqui, que dê conta de compreender o papel mais acertado de todas essas minorias no mesmo lugar. Não se encontra talvez o acumulo moral e ético que dê conta de compreender o que, por assim dizer, é do jogo, e o que não é do jogo. Quando começa e quando termina o direito de todas essas minorias, quando elas são oprimidas e quando são opressoras. E isso que o “Senhor K.” me faz pensar, quando o Ocidente e o “equilíbrio de poderes” que proclamou para todo o mundo, está do lado do oprimido ou do opressor. Quando é o próprio Ocidente portador de nobres valores, quando não sabemos do lixo Ocidental parafraseando Milton Nascimento.
Muitas vezes nem se quer temos essas coisas, talvez os nobres valores do Ocidente, numa mesma conta. Cada um faz parte de uma minoria ou de nenhuma, e esse é o ponto! Os autores Federalistas por exemplo, responsáveis em grande parte pela engenharia institucional dos Estados Unidos da América, alertavam por exemplo, para um momento onde uma minoria consegue travar todo o processo decisório, o chamado facciosismo. É uma hipótese concreta de quase todas as democracias Ocidentais hoje, e talvez porque além da falta de acumulo moral e ético para lidar com essas situações novas, tenhamos claramente a ruína de diversos sistemas políticos Ocidentais.
Não chega a ser incomum hoje, diante desse lapso do pensamento civilizado, e dessa ruína dos sistemas políticos Ocidentais, que antigos crentes no terceiro mundo daquilo que nos pareceu o deus grego “Jano” com uma face voltada para cada lado da Guerra Fria, sem saber qual seria o vencedor, acreditar que a essa altura o Ocidente já perdeu. É uma tentação imensa, entre uma maioria branca heterossexual, de direita, que além de tudo teve classes dirigentes formadas no ressentimento de ditaduras que o “Senhor K.” deixou entre nós.
@CoexistenceLaw
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