Murilo Oliveira
Brasil, 6 de janeiro de 2023.
Eu costumo dizer que o curso de Direito é o conteúdo técnico sem o conteúdo ético-valorativo das Ciências Sociais, e o que o curso de Marketing é o conteúdo técnico sem o conteúdo ético-valorativo da Psicologia. Nesse sentido passamos a um tempo em que temos um imenso contencioso técnico a proclamar o fim dos Estados Nacionais, sem que se tenha o acumulo de fundo sobre conteúdos ético-valorativos a esse respeito.
O que quero dizer é temos uma enorme cruzada pelo final dos Estados Nacionais, onde alguns aludem emergências globais de responsabilidades compartilhadas, e outros simplesmente agem para depredar os Estados Nacionais em uma aparente contradição de fatos, que nada mais é que o movimento que grandes progressos causam de retorno conservador, se não logo a seguir, em seu próprio amago.
Vamos aos fatos! O globalismo propôs o livre comércio entre os povos, permitindo que em um planeta onde não se desfruta das mesmas condições concretas de produção e disponibilidade climática e de riquezas naturais, fossem produzidas de forma otimizada em cada parte do globo terrestre uma determinada especialização capaz de suprir grande parte do mundo. Mas isso não vai evoluir para globalização, quando se fala no livre transito de pessoas para onde o capital é escoado em todo o globo terrestre. Nesse segundo momento vemos como cada onda que bate na praia um refluxo nas pretensões de transformar o planeta Terra em uma aldeia global.
Aqui já está dada uma questão para o que o acumulo das Ciências Sociais, que veio estudando desde a organização dos primatas mais próximos do ser humano até as mais modernas formas de organização coletiva, ainda não respondeu. Me lembro de perguntar para pequena Greta, que fez aniversário recentemente, ainda em seu aniversário de 18 anos, como será a Terra quando a Suíça for a terra dos políticos, e a Bélgica dos advogados, considerando que ela tem medo de avião, onde nos encontraríamos? Brincadeiras a parte, e naquela data ela levou com bom humor, a questão climática exige soluções coletivas de todo o planeta, uma governança global, que não bastante simples em termos de logística. Tão pouco de engenharia institucional. Apenas diria que teríamos por hipótese a terra dos políticos, a terra dos advogados, bem como a terra dos agrônomos, e engenheiros mecânicos. E em podendo todos ir para onde o capital de sua especialização for escoado, muito que bem.
Mas a questão vai além, sabe-se que o mundo é feito de cercas, quando todos podem se deslocar livremente para onde o capital financeiro é escoado, o que temos é uma espécie de emergência. Se perdem marcadores de ordem. Tudo que denota a ordem mais elementar se perde. E esse é o ponto, até aqui o que se pode afirmar é uma crise com movimentos de retrocesso em seu amago, dos marcadores de ordem elementares, tais como riqueza e pobreza, ou mesmo a família tradicional em sua menor partícula. Observamos que, em estudos ainda não tão digeridos pela Antropologia, que é parte das Ciências Sociais, como a Ciência Política, que o fim do patriarcado, não é só um grito de guerra de muitos como a emergência climática. É um dado sólito que pode se apoiar por exemplo em outro parente próximo dos ser humano, que não o Chipanzé territorialista, mas a Bonobo fêmea homoafetiva que não opera a ordem territorial mas sim um todo amplo das florestas onde vivem.
E isso quer dizer que estamos diante de um fenômeno também da Psicologia, onde hoje a maior causa de mortes entre meninas jovens no mundo é suicídio. Tal qual quem ataca as instituições brasileiras constituídas na Capital Federal do Brasil, ou na Capital Federal dos Estados Unidos, as depredando, sob lemas nacionalistas. Portando a bandeira do Brasil se atira contra os marcadores de ordem elementares até aqui, e fruto de imenso acumulo cientifico, ou mesmo sob o lema “Make América Great Again” se depreda fisicamente a ordem conhecida e constituída, em uma claríssima contradição entre consequencias e intenções, ou como em um fato apenas se possa reduzir da onda progressista que avança sobre a praia e depois retrocede arrastando tudo.
Onde se deve asseverar, há tanto uma emergência climática global, como imperativos de grandes corporações transnacionais, agindo de forma transversal a todos os marcadores de ordem elementares conhecidos até aqui. Mais que isso, a discussão de formação de blocos de consenso e governança global, e ao mesmo tempo acompanhada do mais humilde dos sujeitos que só faz depredar a ordem constituída, ainda que porte ele o estandarte de valores tradicionais e clame por eles. Bem como o fim do patriarcado é nitidamente acompanhado por um grupo de indivíduos que em pleno processo de empoderamento do feminino, que se assemelha a sociedade Bonobo, que pretende apenas e tão somente depredar a imagem do feminino. E quando falamos nos índices de suicídios de meninas jovens no mundo, e de uma grande crise de autoimagem que falamos. Se dando a depredadores, ainda que sob o argumento da libertação, perde seus marcadores de ordem elementares, sem ter outros capazes para os substituir.
As Ciências Politicas e Psicologia vem no atraso que a produção cientifica tem em relação a constatar um fato social, e elaborar construções para elucidação do coletivo sobre tais fenômenos. Mas são sem sombra de dúvida o caminho adequado, não cessam de ocorrer tais transformações e fluir no sentido da transformação, mas como as ondas do mar, agirão batendo na praia e retrocedendo por uma eternidade, as vezes tudo em um mesmo indivíduo. Aquele que proclama seu patriotismo desmedido, é o mesmo que age na destruição dos Estados Nacionais. E no mais das vezes, sem ter o que nem como colocar no lugar. A anarquia pela anarquia, custe o que custar. Depredem-se construções intelectuais das Ciências Humanas de muitos séculos, aquelas que fizeram os homens diferentes dos primatas, capazes de produzir microchips e se comunicar por satélites, deprede-se a autoimagem de uma jovem garota ainda não consolidada dentro do universo amplo e confuso de valores morais.
Os refluxos ainda nos parecem evidentes, o mundo não veio da aceitação, após o livre comércio, do livre transito de pessoas para onde o capital financeiro é escoado. Observamos isso por exemplo no Reino Unido, enquanto era só o comercio, tudo ia muito bem, quando se tornou transito de pessoas, começamos a observar o retrocesso. Mas o exemplo não é acusatório, é meramente o mais elucidativo, a partícula Família Real tende a desaparecer diluída na União Européia ou em mais um escândalo de como adentram novos ou novas membros ou a deixam, em virtude dessa adversidade que se pode notar no macro e no micro. Na enorme crise dos Estados Nacionais, bem como na igualmente em crise Família Tradicional.
@CoexistenceLaw
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