Murilo Oliveira
Brasil, 6 julho de 2022.
Eu me lembro que no dia que recebi informalmente meu broche no Rotary Club de um saudoso amigo ex-governador distrital e delegado seccional de Caraguatatuba, para além do lema que gosto muito e carrego sempre: “Seja um Presente para o Mundo”, ele me propôs um pessoal que também nunca me esqueço e carrego comigo: “A Ética é um Principio Sem Fim”. E por que digo isso? Essa, a maior organização não-governamental do mundo, que trava a luta pela erradicação da Pólio no mundo através da vacinação há muitos anos, e tem cada dia mais um papel importantíssimo para todo o mundo, considero um presente, tanto no sentido de dádiva como alguém alerta para as questões centrais do mundo, entende como poucas, que o assistencialismo, e aqui não falo de vacinas, também é um principio sem fim.
E o que isso revela de sobremodo? O Brasil fez disso uma importante cruzada, desde que Eduardo Suplicy criou o conceito de Renda Cidadania, e me lembro como ouvi outro dia um artista dizendo: “ele fez disso a luta da vida dele”, em 2000 recebi das mãos dele e com autógrafo o projeto completo.
A Ação Cidadania de Betinho fala uma coisa muito clara como lema dessa outra importante organização não-governamental: “Quem Tem Fome Tem Pressa”. Isso para mim se tornara verdade absoluta desde 1998 quando criei um projeto social voltado para musica na escola para arrecadar alimentos para os bairros mais pobres da cidade, que levou o nome da canção de Arnaldo Antunes: “Musica Para Ouvir”, e foi levado adiante depois da partida de seus criadores pelo Interact Club do Rotary Club, que hora lembro aqui, e com quem só me encontraria 10 anos depois ao receber as homenagens de dez anos de criação do “Musica Para Ouvir”.
Basicamente o que observamos naquele momento seminal de nossas vidas militantes, é que a cada visita nossa aos bairros mais pobres da cidade ainda na escola, levando cestas básicas, educação sanitária, cobertores, no retorno nós tinhamos mais e mais pessoas em condições de pobreza preocupantes, ainda que fossemos recebidos com imensa alegria por todos e cada vez mais. Cobrávamos já na época um atitude saneadora mais clara de duas prefeituras, de Guaratinguetá e de Lorena, em relação aquele que foi o primeiro bairro que adotamos que era na divisa de ambos os municípios. E suas primeiras edições tiveram esse condão, ao fim e ao cabo daquele primeiro ciclo, o que se tem notícia é que muitos tiveram atendimento por programas habitacionais, que essa mobilização gerou uma gama de providências mais amplas.
E por que esse discurso? Porque nem mesmo uma possível discordância quanto a efeitos eleitoreiros em relação a ampliação de benefícios sociais no Brasil como um todo, e em diversas modalidades, em véspera de eleição, o que é vedado pela legislação infraconstitucional, não me faz acreditar que quem tem fome possa esperar o próximo governo. As portas que se abrem nunca mais fecham. E aqui eu devo dizer que tenho plena compreensão sobre questões orçamentárias estatais e a inconsequência quanto a isso. Por exemplo, quando se opta por juros altos e inflação alta, como explico aqui a Teoria Fiscal do Nível de Preços de André Lara Resende de forma breve em outros posts, entendo que no macro o que foi feito por esse governo é uma opção pela fome, e agora se esforça por providências profiláticas, que vem a comprometer de forma clara e inconsequente o equilíbrio fiscal no país. Quer dizer, é uma bola de neve, que alguém daquela altura igual a do Presidente e ao lado dele, lançou sobre todos.
Ainda assim, posso não concordar com a macroeconômica mas defenderei a hipótese de que não haja fome hoje. Onde, venho meditando há longo tempo aqui também, que a privatização de refinarias e da Petrobras tornam por exemplo o problema dos combustíveis insolúvel para sempre, e é isso que esse governo deseja. Mas, por outro lado, é plenamente incompreensível o que ainda fazemos preservando uma estatal como a Empresa de Correios e Telégrafos do Brasil. Um empresa igualmente rentável, e cada vez mais, mas consideravelmente menos estratégica e menos eficiente no serviço que presta, que é a hipótese concreta de por exemplo reforçar o caixa do Estado.
Enfim, são considerações muito amplas as que aqui faço, poderia entrar no mérito da economia solidária, como com o que se ocupa a Caritas Internacional, outra organização que conheci em 2005, na pessoa de seus representantes brasileiros, franceses, e alemães, em um segundo momento da vida que me ocupava em entender os beneficiários desses programas de transferência de renda, e propor alguma emancipação para os mesmos. Mas, muito antes de considerar que devem se oferecer por exemplo, como obrigação para os beneficiários de programas de transferência de renda, medidas educativas as mais diversas, inclusive educação econômica: “Quem Tem Fome Tem Pressa”.
@CoexistenceLaw
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