Murilo Oliveira
Brasil, 14 de junho de 2022.
A arte tem esse papel, que é como “correr uma cortina”… Você vê! É o caráter “epifânico” da poesia. Se ela não faz isto, não acontece nada; mas se ela é verdadeira, acontece. Esse momento de beleza é o momento profundo, de profunda religiosidade. Você cai em adoração. Porque você está vendo algo inominável.
Vocês já repararam num abacaxi? Todo mundo conhece um abacaxi. Que coisa difícil de conhecer um abacaxi. Aquela coisa cascuda diante de você. Ele é impenetrável! O abacaxi ou qualquer outro fenômeno, como uma árvore… Mas se um artista pinta este abacaxi, faz pintura real ou faz um poema, você fala:
“Gente mas que coisa!”. Então você vai lá na sua cozinha conferir o abacaxi que está lá. É verdade, porque há um acontecimento revelador. A poesia me faz perceber a pulsação das coisas. Isso que é poesia, e a isso chamo também de experiência religiosa.
(PRADO, 1997, p. 5)
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/download/25773/14689
@CoexistenceLaw
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