Morre David Lynch

Morre David Lynch

Murilo Jambeiro de Oliveira

Brasil, 16 de janeiro de 2025.

Na virada do ano pensava um pouco em David Lynch, cheguei a publicar o poema de Lorde Alfredo Tennyson: “Nada Vai Morrer”, do filme “O Homem Elefante” de Lynch. Certamente a lembrança do filme me era renitente aquela hora da noite e ainda é a essa altura do dia da morte do diretor. Talvez valha um aperitivo do filme:

“Durante o final do século XIX em plena era vitoriana, o Doutor Frederick Treves, cirurgião do Royal London Hospital, encontra John Merrick em um espetáculo de aberrações circense onde ele é apresentado como “O Homem-Elefante”, sendo mantido pelo Sr. Bytes, um animador de circo alcoólico e sádico. Sua cabeça é mantida encapuzada e seu “dono”, que o vê como deficiente intelectual, é pago por Treves para levá-lo ao hospital onde o médico trabalha para exibir Marrick em uma palestra no local. Treves apresenta Merrick aos seus colegas e destaca seu crânio monstruoso, que o força a dormir com a cabeça entre os joelhos, já que se ele se deitasse normalmente poderia morrer asfixiado. Em seu retorno para o beco de Bytes localizado no East End em Londres, Merrick é violentamente espancado pelo seu ganancioso dono, forçando o sádico animador a contatar Treves novamente para socorrer medicamente a criatura. Treves, então, leva John Merrick de volta ao hospital.”

Uma estória terrivelmente triste, mas na raiz da minha lembrança está um profundo desconforto meu comigo mesmo. Acho que por isso a lembrança. Eu há bastante tempo sem receber amigos ou visitas, após um processo longo de mais de dois anos tentando recuperar a forma física, o folego, as melhores condições de saúde, sofri um grande revés em relação a tudo tudo, ganhando novamente muito peso rapidamente, e me sentindo um pouco como “O Homem Elefante” de Lynch. Uma espécie de terror de si e solidão profunda.

Tem sido dias difíceis, e ajuda não brota pela casa, antes a sensação de desolação, solidão, e aberração. Em um dia você tem um corpo que você pode correr alguns quilômetros e se sentir renovado, em outro pequenos passos lhe são um esforço gigantesco, algo tão estranho a si como desolador, se não fosse primordialmente o sentimento de solidão e solidão, um tipo de atração circense aberradora, que para os poucos que lhe tem num hábito de visita é uma aparente inutilidade intelectual. Lynch expressa o sentimento, quando entre uma coisa e outra, é de causar surpresa que o protagonista saiba um Salmo.

Gosto especialmente da abordagem de Lynch porque é comum me deparar com obras que tomaram o viés da crueldade circense. Já vai algum tempo que li alguma coisa do gênero, mas era até uma dica de Polly Jean Harvey se não me engano, onde para mim a moral da história é que o público em geral deseja sangue e mais sangue dos seus ídolos. Não é estranha nem a composição de “Procissão”, ou “Jesus no Xadrez”, do Cordel do Fogo Encantado, sobre como se bate cada vez mais forte naquele que anima o circo. A questão é que Lynch liga isso ao sentimento de solidão profunda e estranheza. Ninguém quer conversar sobre nada, ninguém quer te ver, e de repente seu corpo não corresponde nem mais para uma xícara de café. O público proclama sua inutilidade intelectual, e aguarda sangue e mais sangue. É você uma aberração, e como escutava o Maestro Dudamel: “Nada Vai Morrer”. Tudo transcorre para todos, todos os dias, em toda parte, na mais natural normalidade. Quiçá seja atração bissexta, uma referencia vaga, uma nota de isolamento e estranheza de fato.

@CoexistenceLaw

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Murilo

Murilo Oliveira is a Brazilian lawyer, the themes proposed here are of variety, without political or religious purposes, as for all those who hold the angelic culture in great esteem. Visit: https://www.flickr.com/photos/198793615@N08

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