“Déjà vu”

“Déjà vu”

Murilo Oliveira

Brasil, 15 de dezembro de 2023.

“Déjà vu”, tem uma série de definições mais ou menos precisas, é mais comum numa determinada idade, mas para mim é um pouco quando eu pergunto para mim mesmo: “quem é?” E isso não é uma atitude, é uma lembrança.

Eu diria que não me é estranha a definição clássica do termo, e logo a pergunta mais lógica seria: “onde é?” Mas a pergunta clássica do “onde é?” se torna tão mais contestável do que todo o contexto. É um pouco meu modo de ver isso, um dos conceitos mais contestáveis se não o temos em perfeita redefinição constante ao longo da encarnação. E por quê não dizer, que as vezes é mesmo ninguém, como em geral não podia ser nenhum lugar conhecido.

Em todas as circunstâncias quando eu pergunto “quem é?”, não chega nunca a ser um “Déjà vu” se for alguém definido. Se não em termos de pessoa e posição na vida, ou relacional, ambiental, conhecida da conhecida. É uma pessoa de determinado atributo ou contextualização completamente distante como um velho romancista tem para si que a busca de uma personagem, é mais que a o preenchimento de uma vaga, ainda que que a personagem seja a própria definição da vaga. A vaga existe enquanto condição de atributos e características, a vaga existe desde de que a personagem exista, é meio e fim.

É a maldade extrema daquele diretor do balé até achar seu cisne. Que ora a vaga pela bailarina são resumos de uma mesma coisa, ora nenhuma hipótese tão fácil se resolva se a vaga e a personagem não são absolutamente os mesmos do princípio até o fim de um torturante processo, com dia e hora para estrear sob o mais severo escrutínio do público. E não vai, não vai, não vai haver montagem alguma até que exista a bailarina que resuma em si a titularidade da vaga como a própria e escruciante montagem.

É o surreal da montagem que não vai acontecer sob nenhuma condição de temperatura e pressão pela simples ausência completa de quem preencha a vaga, de quem suporte a contento uma carreira que não vai fazer isso a qualquer preço, e não tem quem pague pela montagem, mas sobretudo não tem com quem encená-la. Sobretudo não tem com quem encená-la. É horror do maldito ocaso de um diretor maldito, de uma personagem que ainda não nasceu, de algo que de tanto que foi visto eu nunca havia visto exatamente como eu penso.

Não é aquele maldito vicio de aprendizagem da companhia ao lado, não porque se flagrante que me seja isso, é daquela companhia de balé concorrente e não da minha. E isso não nasceu para a personagem, mas daquele outro, é daquele outro, como isso já houvesse sido montado milhares de vezes, e foi, mas não, não na minha direção, não no meu romance, não como isso nasce no meio desse doloroso processo, de atropelo, de relance, de exato e preciso, como o que imaginei e não como o que é, ou foi.

De repente, o velho romancista olha, e vê. De repente o exigente diretor do balé, sente e é. E certamente é de lugar nenhum. Ou não me conteste quanto isso pode me irritar a cada ensaio. A cada movimento onde certamente haverá dor, e mais dor, e dias, meses, anos de doloroso ensaio. Não vai, não vai, não vai, a montagem não vai acontecer, não tem quem pague, não tem ninguém para o papel, e vice-versa, e de novo, não vai, não vai, não tem ninguém pro papel, não tem quem pague.

Isso é um “Déjà vu”! Concretamente um “Déjà vu” é quando eu me pergunto: “quem é?” E não “onde é?” Como uma lembrança que não existe nem nunca existiu. É quando o velho romancista vê a personagem, quando o diretor do balé vê seu cisne. É quando a vaga e o humano em questão são a mesma coisa, e não alguma coisa a se fazer, colocar, ou tomar providência, por evidente que ao encontrar a pessoa certa há muito que se fazer. É a perfeita desmensura do que não há o que se fazer por tanto que se tem ainda muito a fazer.

Não alguma coisa que veio de algum lugar ou de alguém, e não si em si o fato se define por si próprio. É alguém a fim, não é um lugar. Não ainda que as duas coisas de sobremodo se pareçam e a definição clássica, e o período em que somos comumente acometidos por isso, nos diga muito mais de algum lugar, ou de alguém de alguma outra companhia.

@CoexistenceLaw

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Murilo

Murilo Oliveira is a Brazilian lawyer, the themes proposed here are of variety, without political or religious purposes, as for all those who hold the angelic culture in great esteem. Visit: https://www.flickr.com/photos/198793615@N08

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