Murilo Oliveira
Brasil, 27 de agosto de 2023.
As pessoas me perguntam qual foi o melhor show da minha vida, e muitas vezes eu enrolo para responder. Mas eu sei a resposta. Apenas ela me é muito difícil em termos sentimentais.
Eu me lembro que foi em 15 de janeiro de 2011, no Anhembi em São Paulo Capital, Summer Soul, uma belíssima tarde de muito som e pessoas agradáveis. Eu vinha de uma longa jornada, havia me engajado numa militância virtual em diversas redes sociais, especialmente a particular dela Amy Winehouse, como a maior Diva que eu conheci em vida. E isso talvez gere uma divergência etária enorme, especialmente sobre como ela mesmo aparentava ser um pessoa controversa, uma pessoa tímida hiper exposta.
Quando li a notícia que ela procurava ter filhos, pensei, eu gostaria sabe, seria Braza, mora? Mas dai que nada era muito estranho bem antes daquele 15 de janeiro de 2011, em sua rede social particular um homem branco norte americano de meia idade recepcionava as pessoas, perguntando o que gostavam dela, do trabalho dela, e alegava trabalhar para industria do petróleo, tinha que passar seis meses na plataforma de petróleo e seis meses em casa.
No Twitter ganhava mais seguidores talvez mais entrosados do meio dela, não sei ao certo, conversava sobre nossas sororidades. E em meio a toda sonoridade, ao saber que vinha para o Brasil começa uma espécie de esquenta nos meios especializados. Me lembro fazer uma pequena reunião na Loja do Bispo nos Jardins para tentar extrair alguma dica para o after do show. Na noite que antecede o show, escuto muitas coisas sobre uma suposta conjugação astral curiosa, não sei ao certo.
Eu sei que naquela noite eu pulei a cerca da mesa de som entre o populacho e vip, trepei na mesa, e fiz um coração com a mão para ela, enquanto cantava “Me And Mr. Jones” avistado por ela, que se manifesta com um pequeno passinho atrás como se tivesse sido flechada. Notícia disso: devia estar bebada como sempre.
No que em sua última noite ao Twitter, estava lá pedindo mais um momento de atenção, e sei ao certo que ela apenas quis saber porquê eu ainda estava acordado. Certamente para naquela noite de 23 de julho 2011 tomar minha última gota de álcool quando chegou a notícia de sua morte, acredito nas propriedades medicinais daquele licor chamado Benedictine. Foi eficaz como a última coisa que tomei.
Me custa muito, em geral algum aperto no coração, a ouvir, e nem sempre ela está exatamente como eu lembro dela. Mas hoje, vendo o Rock In Rio na Espanha, em 2008, uma imagem que me atende tão mais que aquele “Me And Mr. Jones” que não tenho registro, ou mesmo aquele da Ilha de Wright com dois Anjos atrás dela no cenário que me deixa mexido também, então quis deixar aqui, nessa pobreza de meus versos sobre coisas tão irrelevantes, diante do fato que a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância, diante da eternidade do amor de quem a gente ama!
@CoexistenceLaw
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