Murilo Oliveira
Brasil, 7 de dezembro de 2022.
É bastante curioso como Michelangelo trás por exemplo a representação de Jonas para o teto da Capela Sistina. Uma obra sem preço, que dizia eu outro dia ao ver uma entrevista de Leonardo Boff, o Vaticano teve como fundamento até a chegada de Francisco ao Papado, a metodologia, e observem, metodologia difere de filosofia, você pode usar o mesmo método do que vai explicar sem que o método resulte no que você propõe, mas ilustre sua hipótese, e esse é o caso. Uma metodologia Marxista, que consiste em extrair dados da base para a superestrutura.
Não sei se estou me fazendo claro, mas Marx ao explicar como um sujeito é explorado, faz isso de uma forma a explorar os dados, como Engels havia levantado em “A Situação Da Classe Trabalhadora Na Inglaterra”. Ou seja, ele explica a exploração do homem pelo homem, utilizando um método científico de exploração. E isso que a Igreja Católica faz, não como uma filosofia finalística, mas como um método por exemplo de extrair dados e riquezas de suas bases, para um poder centralizado, monárquico até certo ponto, que é o Vaticano em Roma.
Nisso que Francisco vai divergir. Pregando a humildade de seus subordinados, adota o chamado método Weberiano, qual seja, que o Vaticano passe a irradiar recursos de cima para baixo, bem como idéias. Passa com esse universo sem preço, a custear seus sacerdotes em pontos distantes como a Amazônia, humildes por definição do fato, e o ideário Católico Apostólico Romano seja mais centralizado no que a Cúria de Roma pretente. É bastante célebre a obra de Max Weber chamada “A Ética Protestante E O Espírito Do Capitalismo”.
No que por exemplo eu deixo a juízo de cada um se os valores da Curia de Roma são necessáriamente os melhores, mas eu compreendo com apreço a valor de quando Michelangelo não só se interessou por Jonas, como por uma visão sobre Uriel Arcanjo em outra lindíssima Igreja chamada Santa Maria degli Angeli e dei Martiri. Eu não vejo a riqueza da minha Igreja com desprezo, e por isso nunca quis deixa-la. E muito pelo contrário, hoje vejo uma Igreja consciênte disso, e disposta a financiar dentro de suas limitações, uma fé que embora eu deixe ao juízo de cada um, tem buscado um bom senso.
Não seria eu a criticar a riqueza dos meus, mas sabemos que é o que escutamos de mais frequente, a ponto de haver uma debandada de fiéis com esse discurso. É o que de sólido se tem indícios hoje a todos, as Monarquias constituídas e demais pessoas com saúde financeira deveriam ter de consciente. Um agravamento do abismo social, das criticas, e das hostilidades, entre ricos e pobres. É claramente um movimento contemporâneo que muitas vezes se assemelha ao discurso anarquista que pretende solapar Estados Nacionais, e suas representações não estão livres dos dois fenômenos.
Os discursos guardam relação com a realidade de nosso tempo, e a arte nos é essencial na tradição de conhecimentos que não são desprezíveis, não acho por exemplo que possamos nos esquecer que Leonardo Da Vinci trabalha por exemplo duas vezes a imagem de Uriel, na Virgem das Rochedos, bem como na Virgem dos Rochas (sobre Reis Magos), ou mesmo Michelangelo tenha ido de Jonas a Uriel, ou vice-versa, que não são universos completamente descasados. E que a essa altura, se faça alguma mea culpa sobre receber ou dar as bases recursos acumulados ao longo de muito tempo. Sob a expectativa de que esse discurso que tende a ser de instâncias mais elevadas, seja pelo menos meditado sob a realidade concreta do quanto se deve ponderar daquilo que sabemos e podemos dentro de certas limitações ajudar a todos.
@CoexistenceLaw
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