Murilo Oliveira
Brasil, 12 de setembro de 2022.
O advento do Orkut, especialmente, depois dos mensageiros instantâneos, gerou uma revolução absolutamente abrupta, para não dizer disruptiva, quanto a base de dados pública de relações entre pessoas. O que antes imagine-se que só se poderia ser feito com um cruzamento analógico e precário de informações de contas telefônicas em proporções ínfimas e apenas de contatos ativos, e não dos caderninhos de telefone de cada um, gera em essência o que vou reputar ser o grande “asset” do Facebook, quando no propósito de mudar de nome, eu sugiro o nome “Friendship”.
De forma sintética todos vieram de forma voluntária a disponibilizar esses dados de forma exaustiva, para uma base de dados com uma capacidade de processamento brutal e um cruzamento de dados nunca antes visto. E no que isso resulta é, uma grande mudança comportamental ainda em curso. Eu acho especialmente curioso que a opção feita pela Facebook tenha sido pelo nome de “Meta’, o metaverso, ou metalinguagem, é em relação a esse primeiro ponto de inflexão, um aspecto farsesco do indivíduo em relação as próprias redes. Se não vejamos, do Orkut para o Facebook e para o Twitter outro fenômeno se associa a esse primeiro, que talvez explique a adoção do nome “Meta”.
Para ficar só na superfície dos fatos, e não ir a profundezas aparentemente fúteis como eu trato na postagem de título “Big Manga”, Facebook e Twitter criaram a face pública do homem médio, ou do indivíduo comum. Isso por si só causa associado ao primeiro fenômeno, algo que não podemos ainda chamar de orquestração, mas um imenso estrondo de como a moral média e os costumes de uma época, são subvertidos ao extremo. A figura do homem público, ou mulher pública, não está mais sujeita a escrutínio de estruturas que vão filtrar e refinar os tratos com a dimensão pública dos negócios, dos relacionamentos, de todo o tecido social.
Ainda que sejam esses novos homens públicos e mulheres públicas sujeitos a um escrutínio das empresas, e são, isso acontece dentro de um padrão e frequência anárquicos, como da mesma forma os relacionamentos, as amizades da pretensa “Friendship” ou o “asset” do Facebook, para dizer de uma major player ainda desse setor, esse não é um “asset” totalmente volátil num curto espaço de tempo. Como nem devemos imaginar que a hoje “Alphabet” não tenha o obtido em tempo recorde e ainda lhe seja util por gerações, embora não disponível para o desfrute de migalhas que caem sobre nossas mesas, do quando podemos também azeitar algumas de nossas relações dispondo digitalmente desse acervo público dos demais de forma manual e meticulosa.
E não será nunca mais pós revolução digital um acervo inexistente, um “asset” inexistente, pelo contrario, passa a ser cada dia mais um tipo de informação trabalhada a partir de imensa capacidade de processamento, como as redes celulares e todos os meios de integração digital do individuo na sociedade. O que quero dizer com isso?
A revolução industrial levou um imenso espaço de tempo para agir, inclusive de forma repressiva na psique do individuo, mas criou a partir dos anos 1950, veja bem, mais de 100 anos depois, extensos compêndios sobre modos de costumes de detalhamento médico sobre o que seria o comportamento adequado do homem médio, do indivíduo comum, na sociedade pós revolução industrial. E o que estamos presenciando na revolução digital, é esse imenso estrondo ainda não tão bem orquestrado, mas bastante sensível no espaço de uma geração.
Eu sou de 1981, sem ir longe os telefones celulares surgem para mim no colegial. Esse tipo de disrupção comportamental não pode levar 100 anos sem parâmetros sólidos de estudo e compreensão, e aqui vem minha alegação principal: eles são essencialmente absolutamente contraditórios com aqueles que só 100 anos depois foram sistematizados pela medicina comportamental da revolução industrial. Não se imagina que possamos esperar mais duas ou três gerações com desencontros de códigos sociais tão graves, quando imaginamos que: não é o mundo inteiro que está desse lado da força e justamente por isso, por essa abrupta disrupção, logo temos a tal chamada guerra de civilizações absolutamente evidente. Bem como individuos com modelo de fabricação 1981, que em plena meia idade, ainda tem memória de um mundo que simplesmente não existe mais, aparentemente há muitos séculos.
@CoexistenceLaw
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