Murilo Oliveira
Brasil, 28 de abril de 2022.
Se bem me lembro a célebre frase de John Maynard Keynes, dizia ele que meu trabalho não é estar certo, mas saber a opinião média antes da média das pessoas. Dito isso, eu teria essa como a desculpa central para os bancos centrais não serem independentes. Estar ao sabor das massas confere a um banco central essa beleza, descobrir antes da média a opinião média das pessoas. Mas inclusive por isso, devemos lembrar Paul Volcker, não foram poucos os protestos as portas do FED sob sua gestão.
O que quero abordar aqui nesse artigo é a importância de que não haja nesse momento uma disparada dos juros básicos da economia propostos pelo Banco Central do Brasil. E isso não se dá apenas pelo fato de ser filiado a uma escola econômica que sempre lembra da Teoria Fiscal do Nível de Preços de André Lara Resende, não apenas, sabemos por exemplo que a ultima sequencia de aumento de juros básicos foi acompanhada de aumento do IOF. Em síntese é isso que André Lara Resende fala e pode ser demonstrado facilmente, o aumento de juros faz com que o dinheiro que o governo toma emprestado aumente de preço, logo ele aumenta impostos para pagar o serviço da dívida, e isso não ajuda a reduzir a inflação. Esse é o ponto, e logo logo vou a Paul Volcker que com um aumento absurdo nos juros dos Estados Unidos no final da década de 70, combate surdo a seus cidadãos e países em desenvolvimento a inflação que galopava na América.
Qual é a questão? No meu modo de ver: “disrupção de oferta”. O que está propiciando um grande aumento da inflação no país não está no excesso de liquidez de moeda, ou mesmo num implemento claro e consistente da demanda, mas sim numa disrupção de oferta. E o que eu chamo de disrupção de oferta? Em principio eu vou aplicar o termo ao que vivenciamos na pandemia, as portas do comercio em geral se fecham por força de lei, os consumidores não desparecem ou aumentam significativamente de número em cada estabelecimento em si, mas muitos por força de lei, por ausência de turnos de trabalho nas fabricas, ficam sem produtos para ofertar. Mas isso hoje aqui para nossa analise é um detalhe, francamente toma dimensões muito mais evidentes com a Guerra na Ucrânia. Como isso toma contornos mais evidentes com a Guerra na Ucrânia? Por exemplo quando a Indonésia para de oferecer óleo de palma de cozinha. Todos aqui são testemunha do que está acontecendo nesse exato momento quanto aos preços do óleo de cozinha no Brasil, ainda que não seja de palma, seja de soja, canola, ou milho, ninguém está fazendo fritura além do de habito para alegar que os preços estão subindo porque há mais demanda. Há, repito, disrupção de oferta.
Então vamos ao ponto, não haverá menos inflação com aumento de juros no país, as pessoas não vão comprar menos, a opção deixar dinheiro no banco em ultima instância não é solvente da questão. Pelo contrario, a função investimento se deteriora em alguma medida, reduz a liquidez, o dinheiro que iria ser investido na atividade produtiva empregando mais pessoas, dorme na mão de banqueiros, ou mesmo na realidade do próprio governo que toma dinheiro emprestado pagando muito bem. E esse é o ponto! Não esteve até esse ponto da curva de juros básico do Banco Central do Brasil em questão a final das contas se isso iria de fato reduzir a inflação, não do nosso ponto de vista, mas isso gerou sim algum ajuste com a maior entrada de dólares no país, para adquirir esses títulos. Melhor dizendo, o dólar baixou, e isso está pressionando toda e economia, e vem em boa hora. Se efeito dos juros como desconfiaríamos em condições normais de temperatura e pressão, ponto para Banco Central do Brasil.
Ainda assim não é a questão, não estamos em condições normais de temperatura e pressão, é algo como dizer, iriamos para o Brasil de qualquer forma, pagando tão bem nenhum mal tem. No fundo é isso, vamos observar até esse tanto da jornada um Brasil atrativo por inúmeros fatores a valer novo artigo, mas, a seguir da carruagem com juros aumentando de forma precipitada, vamos ter danos irreparáveis na função de investimento, e mais que isso, vamos ter uma inflação que não responde a esse tipo de medida como explico aqui. E qual é o problema disso? Haverá no momento seguinte, pressão internacional por um aumento de juros.
E é dessas sirenes que me refiro. Lembrei Paul Volcker hoje nesse dia de lembrança do Holocausto, ele teve papel destacado em resolver contas do Holocausto na Suiça, mas a questão é, imagine que o Federal Reserve, o banco central Americano, comece a elevar os juros nos Estados Unidos a pelo menos o dobro de onde estão hoje. Imagine que não se resolva a escassez de alguns produtos no mercado internacional em virtude da Guerra da Ucrânia. Imagine a disputa eleitoral brasileira gere um movimento especulativo intenso ainda daqui alguns meses com reflexos no câmbio. Vamos tomar a iniciativa de alta de juros a partir de qual patamar? Daqui para onde?
Mais uma vez como diria John Maynard Keynes: “No longo prazo estaremos todos mortos.”
@CoexistenceLaw
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