Subtraído em Direitos Civis

Subtraído em Direitos Civis

Murilo Jambeiro de Oliveira

Brasil, 16 de abril de 2025.

Por definição, a insegurança do mundo é a insegurança de todos nós. É essa a conclusão inelutável que eu chego a essa hora, tão distante da politica na prática como estou a quase duas décadas, mas sempre como observador habitual. Não sinto hoje no Brasil a presença de um Estado Garantidor. Muito pelo contrário, sem eu cometer qualquer espécie de ilícito, repito, sem eu ter qualquer conduta ilícita civil ou penal de qualquer espécie tipificadas pela lei brasileira, mas talvez pelo simples fato de preservar uma visão até que conhecida “em cima do muro” como alguns podem definir, mas em geral eu acredito que fruto da educação muito delongada em assuntos do públicos, e mais que isso, pela convivência sempre muito civilizada entre pessoas muito diferentes entre si, sinto hoje o mesmo, idêntico, descrito sobre a truculência interna a determinados Estados Nacionais, seja em relação a seus próprios cidadãos, seja em relação a um Estado Nacional em relação a outro Estado Nacional. O desaparecimento dos Direitos Civis mais básicos no cotidiano de nossas vidas não é mais privilégio de um Estado execrado do Brasil, mas ocorre no próprio Brasil.

Se fosse me manifestar mais profundamente, me encontro a vinte anos longe da prática política, não por outro motivo, mas por poder pressentir e demonstrar a truculência que toda a política em todo mundo vinha sendo tomada dia a dia. Objetivamente, estive sempre entre o grupo de alunos em todos os níveis de graduação, chamados de brilhantes, e por isso, nunca se mostrou agravada como não é comum uma dislexia que aparecia na infância e regride cada dia mais como o de costume, na graduação superior já sou um leitor de obras clássicas com um nível de conforto e desenvoltura bastante grande, além disso, uma ciclotimia leve, que nunca de coadunou em uma bipolaridade, mas uma leve tendencia a depressão, que não é o mesmo que tendencia ao suicídio, ou muito menos uma euforia perdulária, quer dizer, um quadro psiquiátrico muito pacífico em certa medida. Se eu fosse enunciar todos os problemas de forma exaustiva, consistiriam apenas em uma dificuldade de alfabetização na primeira infância, e alguma procrastinação na vida adulta, que nunca afetaram a qualidade de trabalhos e reflexões geniais muito acima da média.

Ainda assim, digo tudo isso, porque o avanço de hostilidades em todo o mundo, são sentidos em todos os pontos vulneráveis de qualquer cidadão de qualquer país que tenha hoje, ou tenha tido em qualquer momento da história, um papel de protagonismo político, ainda que em um passado bastante distante, sem comungar da confidência de numa espécie de agremiação ou célula partidária, em todos os momentos: o ser votante, proposto em alguns momentos a ser votado por estudantes, da forma mais honesta, e talvez ingênua possível. Atacam essas vulnerabilidades, em um país como o Brasil, que não é possível definir como um universo manso e pacífico, tão pouco se acredita como a pior das hipóteses hoje, fala hoje na constância de cada ato, num crescente de repressão que eu posso sentir. E repito, eu sou tão crente na tolerância e civilidade, que seria simples dizer que eu estou em geral “em cima do muro” politicamente. Não é exatamente o caso, exponho posições politicas claras, sem ofender ninguém, sem ferir direito de nenhum ator político mais conhecido ou convivente mais habitual, novamente, sem cometer qualquer ilícito civil ou penal no Brasil ou em qualquer parte do mundo em qualquer momento da vida, mas descrevo discussões politicas e no todo posições aqui nesse Blog CoexistenceLaw longamente.

E ainda assim, respeitando a tolerância e civilidade, na legalidade estrita, recrudesce e recrudesce a repressão contra mim, sem que se tenha fundamento ou necessidade. Sem que o Brasil seja os Estados Unidos da América como muitos hoje no Brasil tentam ilustrar como epicentro da perda de direitos civis ou qualquer outro país do mundo, repito, o Brasil nunca foi um dos melhores, e existem outros piores no mundo. Mas francamente se apartar de tudo isso foi e é minha opção ideológica mais clara, e até para além disso, minha intimidade como descrevo psiquiatricamente não é segredo, mas está muito longe de ser completamente incapacitante ou impeditiva. Se alguma coisa hoje me faz concorrer em maiores cuidados de saúde, foram prejuízos acumulados no processo de repressão política, como disse, já em momentos sem fundamentos e sempre sem necessidades de qualquer espécie, sejam políticas ou de fato para resguardar meus próprios direitos.

Pelo contrário, hoje o que posso dar notícia é que vivendo no interior de São Paulo, no Brasil, junto dos meus pais, longe da hipótese de me propor a ser votado em qualquer instância, longe do ofício político contumaz, e tendo habitualmente um cuidado até demasiado com o meu bem estar mental, que é disso que se trata, como uma pessoa que minimamente acompanha tudo que ocorre no mundo, vive as transformações e repressões politicas do hoje responde com maior a menor paz mental para si, vivo hoje subtração do direito de praticar atos da vida civil do homem médio. A bem da verdade algo incrivelmente simbólico dos dias de hoje em todo o mundo, e como no Brasil mais em geral sobra para quem não tem absolutamente nada com fato algum que o desabone. Eu diria que no Brasil esse é o sujeito vulnerável número um, aquele que não tem nada que o desabone. Uma vez que numa hora dessas em todo o mundo as pessoas estão aí para medir forças, muito raramente para exercer um magistério opinativo manso e pacífico como eu me penso e me vejo aqui.

@CoexistenceLaw

Share this content:

Murilo

Murilo Oliveira is a Brazilian lawyer, the themes proposed here are of variety, without political or religious purposes, as for all those who hold the angelic culture in great esteem. Visit: https://www.flickr.com/photos/198793615@N08

Os comentários estão fechados.