Pai, afasta de mim esse Cale-se!

Pai, afasta de mim esse Cale-se!

Murilo Jambeiro de Oliveira

Brasil, 8 de março de 2025.

A essa altura da vida já não deve ser segredo para muita gente, que embora não tenha nunca me filiado a partido político algum no Brasil, trabalhei próximo de muitos, muitas vezes opostos entre si, como o Governo do Estado de São Paulo, a Prefeitura de São Paulo, o Governo Federal, e até o Governo do Estado de São Paulo novamente, quando cada um deles era governado por agremiações partidárias opostas, em seus suas diversas representações jurídicas, formais, informais, conveniadas, autarquias, e ministérios. Me preservei o direito de ser uma espécie de burocrata sem partido político, mas tentado alguma formação na área pública da forma mais constante que me foi concedida. E isso gerou um tipo de questão que eu reporto ter resultado em uma espécie de perseguição política, no sentido que os partidos políticos no Brasil habitualmente lutam por esses postos, e aparentemente quem não está conosco é contra nós. O que nunca foi uma verdade nesse sentido, nunca cheguei a ser alguém que deveras tenha me incomodado em oferecer oposição a quem quer que seja de agremiação partidária mais precisa, de forma sistemática e virulenta. Seriam em geral apenas oscilações entre o centro que era, não é mais, representado pelo Partido da Social Democracia Brasileira, do Movimento Democrático Brasileiro, e o Partido dos Trabalhadores, me reservando em geral apenas o direito de votar com esse ou com aquele, independente de minhas obrigações diárias.

Eu diria que até algum interesse pela lógica eleitoral me existiu, no sentido de que embora não seja a mais agradável, por exemplo em novembro passado concluímos uma eleição municipal em todo país, e hoje em março do ano seguinte já falamos novamente em “ano eleitoral” em diversos órgãos de imprensa e entes federativos. É um ciclo constante no Brasil, e isso afeta todo o trabalho, as vezes até o melhor desenvolvimento do trabalho, seja de quem for envolvido mais proximamente com o ofício dependente de politicas públicas as mais consistentes de duradouras. No período além de estudar Direito e Ciências Políticas, li até mesmo muito manuais de marketing político, e estudiosos de pesquisas eleitorais, com muito interesse, o que também foi de sobremodo interessante para interpretar a realidade, além da literatura clássica. Mesmo que a constante dinâmica eleitoral não ajude o atingimento mais rápido e claro dos objetivos da sociedade como um todo, é uma espécie de escrutínio a ser considerado, de quadros capazes de coordenar aparatos tão grandes e tão dependentes de determinados talentos, que deve ser levado em conta e validado sempre esse escrutínio maior.

Onde a questão central que quero tratar aqui, é como me assusta que isso tenha se tornado ao longo do tempo um profundo desprazer para mim, no sentido de que não conto com um estrutura de qualquer espécie que tenha antes ou mesmo tenha ainda hoje, me provido suporte para administrar esses estudos e me ajudar a desfrutar dos mesmos. Fosse uma estrutura partidária, fossem uma estrutura familiar. As duas coisas me são inexistentes, e não me oferecem suporte de forma alguma. A primeira, a partidária, em grande parte por uma opção minha sem dúvida, no sentido que eu percebia um movimento contemporâneo tão forte de recusa entre os jovens da partidarização de seus negócios de qualquer espécie, desde o bancos escolares, que antes preferi dedicar meu tempo aos estudos, e conhecer o oficio, do que me apresentar representante de algo maior que parte considerável daqueles que reconheciam meu talento e me apoiavam não acreditavam. Mas a falta de estrutura familiar veio logo a seguir como uma outra resultante de consequências nefastas, uma vez que fruto de uma cultura que não é democrática, tão pouco crente e desejosa do futuro. Essencialmente não é nem nunca foi democrática, não acredita nos negócios públicos, como muitas vezes é mesmo difícil acreditar, mas para além tem algum rancor do poder público de forma geral. O que as vezes não se resume a dizer que são simplesmente de direita, ou mesmo de esquerda. É insensível ao dado político, e truculenta no exercício de suas próprias razões. Se alguém desprovido de estruturas externas mais sólidas, as questões se tornam exponencialmente mais complexas. Diante do assédio externo, e das complicações inerentes a tais preocupações.

De forma que hoje, não me é estranho dizer: “Pai, afasta de mim esse CALE-SE.” Ou como diz a música de Chico Buarque: “Pai, afasta de mim esse Cálice, de vinho tinto de sangue.” Pois é a esse nível de desafio e agressão sistemática que se chegou em virtude da imprevidência econômica minha e de todos do meu entorno mais próximo, algo como por exemplo dizer, papai tem raiva do Estado a mais constante, por ter trabalhado a vida toda com muito afinco e não ser honrado por uma previdência pública digna, mas fundamentalmente a imprevidência de todos, gerou um tipo de extensão de minhas questões políticas que já não foram simples por querer preservar alguma independência de estruturas partidárias, e resultou em um tipo de ente próximo que insiste em promover o meu silencio, para obter com isso vantagens financeiras miúdas, em relação aos poucos pertences que eu devia ainda dispor, e poder me valer do mesmo. Atentando contra minha liberdade, de todos os tipos, da politica a religiosa, passando pela sexual, até a financeira e de cidadania mais básica como meu direito de votar, por exemplo. Tudo isso se tornou questão, tudo isso se tornou complicador, tudo isso se tornou agressão silenciosa de entes próximos como os da própria casa o mais constante. Tais quais eu tenho pouca ou nenhuma ajuda hoje.

@CoexistenceLaw

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Murilo

Murilo Oliveira is a Brazilian lawyer, the themes proposed here are of variety, without political or religious purposes, as for all those who hold the angelic culture in great esteem. Visit: https://www.flickr.com/photos/198793615@N08

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