Murilo Jambeiro de Oliveira
Brasil, 11 de fevereiro de 2025.
Eu que já passei na sala de aula do Presidente do Banco Central do Brasil para pedir votos, as vezes me sinto confortável para comentar economia. Não é esse exatamente o caso, mas vamos aos fatos. Pela primeira vez o Presidente Lula responde como eu lhe peço aqui no post anterior, com calma. As tarifas anunciadas pelo Presidente Donald Trump atingem um grande número de países parceiros dos Estados Unidos da América, não só o Brasil. E na pratica o Presidente Donald Trump tem que buscar uma solução para uma potência decadente, e até certo ponto, Guga Chacra diria que eu sou uma espécie de base republicana avessa a Bush, qual seja, que não acha que a solução passe por uma guerra, como a Afeganistão, ou do Iraque. Uma guerra em sentido próprio, convencional, com bombas e afins.
Ocorre que o Presidente Donald Trump não tem duas alternativas para si, se tivesse uma segunda alternativa, seria essa, uma guerra comercial, mas não dispõe nem dessa alternativa. A bem da verdade, para o Brasil é algum prejuízo, uma perda de escala, como havia acontecido no primeiro Governo Trump com as cotas. Mas para os Estados Unidos da América não faz surgir no dia seguinte uma industria nacional de Aço e Alumínio, mas na realidade gera inflação. Essa sim a consequência nefasta para os Estados Unidos da América, e até mesmo para o Brasil, uma vez que Jerome Powell, Presidente do FED, já alerta que não haverão cortes na taxa de juros Americana, e isso é só a primeira reação mais grave que a Presidência de Donald Trump pode causar. Por obrigação didática eu devo explicar que a taxa de juros Americana é base para taxa de juros em todo mundo, parte-se desse piso, para descontada a taxa de juros Americana, calcular quanto de juros a mais teremos no Brasil por exemplo. Se a inflação os acomete, o juros sobem em todo o mundo.
Além disso, a questão é que a essa altura do campeonato, não há padrão concorrencial que consiga de fato alcançar a China na produção de Aço por exemplo, as proporções do problema que o Presidente Donald Trump procura enfrentar gritam. E gritam a dimensão da decadência da potência Norte-Americana diante desse fato. Surgem sugestões irracionais como anexar o Canadá, grande produtor de Alumínio, com energia abundante, ou comprar a Groenlândia, que me faz pensar por exemplo em Terras Raras, essenciais para um sem número de aparatos tecnológicos hoje, que até bem recentemente só a China que tem enormes reservas dessas Terras Raras, tinha condição de refino, existe hoje uma nova planta de refino de Terras Raras nos Estados Unidos da América, e uma no Brasil em cooperação com os Estados Unidos da América, mas repito, nada se compara as reservas da China das mesmas Terras Raras, como se pode constatar quanto a quase tudo, a exemplo do Aço que o Presidente Donald Trump procura tributar.
O Presidente Donald Trump não tem duas saídas para quase tudo. A razão de ser chamado de Republicano avesso a Bush, é a mesma de não encontrar também a saída proposta pelo Presidente Joe Biden, a guerra convencional. Entre duas, a guerra convencional por parte dos Estados Unidos da América, que é a maior potência militar que humanidade já viu, seria a primeira, a segunda é essa que o Presidente Donald Trump ensaia, tentar uma guerra comercial, que a bem da verdade também não é uma alternativa, se coloca todo o mundo em recessão. Repito, se com seus decreto causar mais inflação nos Estados Unidos da América do que já tem, e o consequente aumento de juros pelo FED, isso afeta os juros até mesmo no Brasil, e gera recessão em todo o mundo. É essa a questão de fundo ainda mais grave. E se de tudo fomos nós analisar, entre supostos absurdos como a anexação do Canadá e da Groenlândia, não há condições físicas de concorrer contra o fato de que a China detém reservas imensamente maiores de uma gama de minérios estratégicos.
Eu vejo aqui alguns comentaristas que eu gosto muito falando sobre autores que colocam que xeque o conceito de crescimento. Talvez seja essa a questão. O dado que me socorre há anos é que se todos no Planeta Terra consumissem como um Norte-Americano médio, todos os recursos naturais do mundo seriam exauridos em cinco anos. O dado já deve ter sido superado pelo crescimento do consumo dos Norte-Americanos, mas a questão é paradigmática. Tanto o crescimento dos Estados Unidos da América, como de todo o mundo, esse comentarista ainda reflete como isso é uma constante e lugar comum no discurso de todos os políticos aqui e lá, deve ser um paradigma a ser enfrentado. O ideal de consumir como um Americano médio, ou mesmo, o consumo do Americano médio, é o tipo de questão que não enfrentamos ainda. Mas como venho dizendo, entre duas alternativas que os Estados Unidos da América teriam, nenhuma das duas aparentam ser realizáveis, se não, como flerta o comentarista da minha predileção, por um apocalipse nuclear. Como por exemplo nunca estamos muito longe, mas por popular que fosse o conflito com Rússia por exemplo, é um tipo de solução tão temível quanto essa outra.
@CoexistenceLaw
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