Murilo Jambeiro de Oliveira
Brasil, 27 de janeiro de 2025.
Alguns poucos comentaristas de politica internacional usam o termo “Guerra Cultural” como eu mesmo acho apropriado. È o caso por exemplo de Demétrio Magnoli, com alguma ironia, em seu comentário habitual no jornal “Em Pauta” da GloboNews sempre existe. Eu não saberia me alongar sobre o assunto, se não tratasse aqui a priori, de por exemplo os grandes data centers que os Estados Unidos da América inauguram, como um gigantesco acordado entre Microsoft e Oracle e o Presidente Donald Trump, ou uma declaração recente de Mark Zuckerberg menos polemica que outra, o que ele pretende inaugurar em Richparish quase do tamanho da ilha de Manhattan. Trata-se em grande parte disso, como por exemplo eu vim falando sobre a necessidade de um ambiente de negócios no Brasil, que inclua energia elétrica barata, bem como a formação de mão de obra.
Mas autores menos conhecido talvez do grande público, como o italiano Antonio Gramsci, falariam muito antes de algo chamado de “Hegemonia Cultural”. E trabalhos como do Diplomata Hayle Gadelha, falariam de coisas que nos lembram a indicação ao Oscar de Walter Salles nesse ano de 2025. As duas coisas se completam, ter uma determinada “Hegemonia Cultural” e ela ser capaz de se representar no mundo, é quesito fundamental, para trabalhar em relação a um “Soft Power” que tem uma tremenda força de seus data center e mais que isso, do idioma inglês, e de um processo de aculturamento por assim dizer, que diz muito sobre tudo, quando por exemplo, a obtenção para o sucesso no cinema se chama Oscar. Consignado que é uma representação importantíssima, o reconhecimento almejado é o Norte Americano, no que de fato ilustra uma situação da arte que deveria ser exemplar em relação a por exemplo as preocupações do judiciário. É preciso que haja um determinado reconhecimento dos Estados Unidos da América, partindo do pressuposto que esse reconhecimento é de questões brasileiras, e onde não temos um data center comparável, não temos energia elétrica com preços competitivos, não temos mão de obra, e não estamos no domínio de uma “Hegemonia Cultural” tão grande como por exemplo a do idioma no mundo.
Mas há quem fale em Guerra Comercial, para esse é uma questão de polaridade, qual seja, da perspectiva chinesa é o que existe, uma Guerra Comercial, embora de fato ela exista, e seja o artifício mais comum aventado pelo Presidente Donald Trump. Já disse também aqui anteriormente que São Paulo, Espirito Santo, Santa Catarina, e Ceará, são os estados que exportam produtos de alto valor agregado, em sua maior parte para os Estados Unidos. Os números do comércio não são transparentes, se você pensar que o comércio com a China, representa o para o Brasil o comercio com todos os outros países do mundo somados. Quer dizer, supostamente o comercio com os Estados Unidos é pequeno, mas na realidade, o comércio com os Estados Unidos é por exemplo em São Paulo uma renovação de toda frota da Mesa, subsidiária da United Airlines, de aviões da Embraer. Quer dizer, poucos produtos mas de altíssimo valor agregado, que por sua vez são extremamente estratégicos para o Brasil como Satélites e afins. Como a própria questão dos data center que realço aqui nesse artigo. Enquanto por exemplo é realmente inalcançável o que exportamos de grãos para China.
O que me preocupa é que o Presidente Lula, talvez assessorado por Celso Amorim que ganhou uma enorme notoriedade no cenário mundial falando em uma nova polaridade do Sul Global, declara habitualmente guerra a alguém, dentro dessa perspectiva polar do mundo, bem como isso é uma questão de parte da imprensa. Parte da imprensa, como já disse, tem um interesse corporativista, onde ainda com parcos recursos tecnológicos, proclama a importância da mídia tradicional como noticioso oficial e produtor de conteúdo. O que não chega a ser uma mentira, quanto mais vamos as mídias digitais, a comunicação social, mais precisamos daquela que são verificadas no sentido de falar abertamente para um grande numero de pessoas, que sofrem junto do governo nacional algum controle social. Mas também é outro setor da sociedade brasileira que tem habitualmente declarado guerra a alguém de forma polar dentro da perspectiva defendida por anos por Celso Amorim de associação ao Sul Global. E isso não encontra um respaldo em dados muito sólidos da realidade, como por exemplo a influência do idioma português no mundo. Para ficar em um exemplo simples de “Hegemonia Cultural” parcialmente verdadeira. Pode por exemplo ser hoje a Rede Globo, como eu acredito ser, a maior do idioma português no mundo, bem como a Globo Filmes estar hoje com o Globo Play e todo o Consórcio de Imprensa entre os maiores players digitais do Brasil hoje. Mas é uma dianteira muito atrás do que se possa pensar de uma liderança global, inclusive no hemisfério sul, ou para os BRICS que o seja. Falamos de países falantes do idioma português como Brasil e Portugal, e da representação muito importante, chave em toda a discussão, da cultura brasileira nos Estados Unidos da América. Não sua crítica sistemática.
De toda forma, não considero desprezível que hajam representações culturais do Brasil na China, e existem algumas, bem como da China no Brasil. Aliás é esse o ponto, não somos brasileiros letrados em mandarim ou cantonês, mas especialmente por isso, falar em representações culturais mais sólidas é fundamental, ou o termo cultura de fato não existe para quem é partidário dessa relação, só há de se falar em comércio. E evidente, como se pode extrair, é muito mais difícil e insipiente essa culturalmente, do que a Norte Americana. Então a questão que proponho mais em geral é que não se declare, Governo e Imprensa, guerra cultural a cada 5 minutos contra algo que não há aliados nem condição de confronto, mas se trabalhe a diplomacia para se estar na linha de frente, nesses lugares, nos Estados Unidos da América por exemplo. Pois a questão sempre foi essa desde que me conheço por gente, e não havia ainda no Brasil uma “Hegemonia Cultural” de esquerda, antiamericana quase em geral, em relação a por exemplo o desrespeito aos Direitos Humanos havido no Brasil durante o período da Ditadura Militar. A propagação desse sentimento antiamericano até o cume das nossas representações culturais, não pode ser até o cume da animosidade política e comercial. Onde até para o judiciário brasileiro é fundamental que se recorra a tratados internacionais, aos consensos mais amplos no mundo, bem como a defesa aguerrida dos Direitos Humanos, mas dentro dos limites territoriais brasileiros, consciente que podemos comprar produtos chineses por exemplo sob explicito desrespeito aos Direitos Humanos na sua produção na China que isso não nos interessa, como por exemplo não é uma questão de fundo ideológico interpretar a influência de certas empresas do “Soft Power” Norte Americano, mas em geral, para o judiciário diferente do legislativo, seja um trabalho internacionalmente inteligível de mitigação de danos.
@CoexistenceLaw
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