Murilo Jambeiro de Oliveira
Guaratinguetá, 1º de junho de 2024.
Aos 24 anos de idade era muito comum Mamãe ouvir: “Você está ignorando um filho.” A frase curiosa, com o tempo passa a parecer para ela acusatória, sempre muito longe de qualquer realidade política do país desde muito cedo, nunca teve consciência que em um curto espaço de tempo da democracia no país, entre os 16 e os 24 anos, seu filho havia se tornado talvez uma das lideranças estudantis mais destacadas do país, concomitante ao surgimento da internet, a um tempo que hoje avalio como do desacerbamento do individualismo, com o surgimento dos telefones celulares, e tão logo do império da inveja que já não era incomum entre nós.
Mas a persistir a afirmativa de que “Você está ignorando um filho.” Para uma Mãe tão desatenta de tudo isso, tomou contornos acusatórios. No modo de ver dela então, algo perante a sociedade estava errado com aquela gravidez, com aquele menino. Antes lhe fosse simples, como tentou fazer crer em plena desatenção, que era um menino branco e bem nutrido. E aos 24 anos, ela opta por utilizar de espancamentos, sequestros, prisões, e torturas. Episódios reiterados de espancamentos, sequestros, prisões, e torturas.
Compreender porque ela faz essa opção de repente, é das coisas mais complexas do mundo. Por que uma Mãe aparentemente desligada, que não prestava atenção em nada, e que me fez um menino absolutamente preocupado politicamente desde os bancos escolares, não tinha uma explicação aparente. Sabido era da inveja constante de muitos, até quando maliciosamente faziam esse tipo de afirmação. Mas por que ela se sentiria tão culpada?
Vou descobrir aos 40 anos de idade que sou filho do parte de pai de Eike Batista, aquele que chegou a ser o oitavo homem mais rico do mundo. Curiosamente dos 40 anos até os 42 anos o aviso reiteradamente que eu existo. O sentimento de culpa dela não passa, a inveja geral nunca melhora. Ajuda nunca aparece. Ocasionalmente muitos devem achar engraçado como os próprios Batista, e também não tão ocasionalmente assim, muitos já deveriam saber no meu convívio intimo e não vivem bem com a inveja que nutrem do fato, nem tem os melhores votos de felicidade quanto a isso.
Reiteram-se realmente quase 43 anos como “Filho da Repressão”. Talvez até mais que isso hoje, alguém que até parentes sempre ditos tão próximos, e um homem dito tão rico, ousado, e generoso, congratulam-se a essa hora de condenar por exemplo a uma pobreza espartana. Com sonoros risos de todos esses. Sim, pobreza espartana com sonoros risos de parentes sempre ditos tão próximos, daquele que foi dito o oitavo homem mais rico do mundo e sua família, que presumivelmente seria a minha também. Sonoros risos da pobreza espartana que vivo hoje, e quase duas décadas das “culpas da mamãe” que resultaram em espancamentos sistêmicos, sequestros, prisões, e torturas.
@CoexistenceLaw
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