{"id":922,"date":"2023-12-15T00:28:52","date_gmt":"2023-12-15T03:28:52","guid":{"rendered":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=922"},"modified":"2023-12-15T01:34:45","modified_gmt":"2023-12-15T04:34:45","slug":"deja-vu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=922","title":{"rendered":"&#8220;D\u00e9j\u00e0 vu&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Murilo Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Brasil, 15 de dezembro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;D\u00e9j\u00e0 vu&#8221;, tem uma s\u00e9rie de defini\u00e7\u00f5es mais ou menos precisas, \u00e9 mais comum numa determinada idade, mas para mim \u00e9 um pouco quando eu pergunto para mim mesmo: &#8220;quem \u00e9?&#8221; E isso n\u00e3o \u00e9 uma atitude, \u00e9 uma lembran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu diria que n\u00e3o me \u00e9 estranha a defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica do termo, e logo a pergunta mais l\u00f3gica seria: &#8220;onde \u00e9?&#8221; Mas a pergunta cl\u00e1ssica do &#8220;onde \u00e9?&#8221; se torna t\u00e3o mais contest\u00e1vel do que todo o contexto. \u00c9 um pouco meu modo de ver isso, um dos conceitos mais contest\u00e1veis se n\u00e3o o temos em perfeita redefini\u00e7\u00e3o constante ao longo da encarna\u00e7\u00e3o. E por qu\u00ea n\u00e3o dizer, que as vezes \u00e9 mesmo ningu\u00e9m, como em geral n\u00e3o podia ser nenhum lugar conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as circunst\u00e2ncias quando eu pergunto &#8220;quem \u00e9?&#8221;, n\u00e3o chega nunca a ser um &#8220;D\u00e9j\u00e0 vu&#8221; se for algu\u00e9m definido. Se n\u00e3o em termos de pessoa e posi\u00e7\u00e3o na vida, ou relacional, ambiental, conhecida da conhecida. \u00c9 uma pessoa de determinado atributo ou contextualiza\u00e7\u00e3o completamente distante como um velho romancista tem para si que a busca de uma personagem, \u00e9 mais que a o preenchimento de uma vaga, ainda que que a personagem seja a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o da vaga. A vaga existe enquanto condi\u00e7\u00e3o de atributos e caracter\u00edsticas, a vaga existe desde de que a personagem exista, \u00e9 meio e fim.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a maldade extrema daquele diretor do bal\u00e9 at\u00e9 achar seu cisne. Que ora a vaga pela bailarina s\u00e3o resumos de uma mesma coisa, ora nenhuma hip\u00f3tese t\u00e3o f\u00e1cil se resolva se a vaga e a personagem n\u00e3o s\u00e3o absolutamente os mesmos do princ\u00edpio at\u00e9 o fim de um torturante processo, com dia e hora para estrear sob o mais severo escrut\u00ednio do p\u00fablico. E n\u00e3o vai, n\u00e3o vai, n\u00e3o vai haver montagem alguma at\u00e9 que exista a bailarina que resuma em si a titularidade da vaga como a pr\u00f3pria e escruciante montagem.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o surreal da montagem que n\u00e3o vai acontecer sob nenhuma condi\u00e7\u00e3o de temperatura e press\u00e3o pela simples aus\u00eancia completa de quem preencha a vaga, de quem suporte a contento uma carreira que n\u00e3o vai fazer isso a qualquer pre\u00e7o, e n\u00e3o tem quem pague pela montagem, mas sobretudo n\u00e3o tem com quem encen\u00e1-la. Sobretudo n\u00e3o tem com quem encen\u00e1-la. \u00c9 horror do maldito ocaso de um diretor maldito, de uma personagem que ainda n\u00e3o nasceu, de algo que de tanto que foi visto eu nunca havia visto exatamente como eu penso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 aquele maldito vicio de aprendizagem da companhia ao lado, n\u00e3o porque se flagrante que me seja isso, \u00e9 daquela companhia de bal\u00e9 concorrente e n\u00e3o da minha. E isso n\u00e3o nasceu para a personagem, mas daquele outro, \u00e9 daquele outro, como isso j\u00e1 houvesse sido montado milhares de vezes, e foi, mas n\u00e3o, n\u00e3o na minha dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o no meu romance, n\u00e3o como isso nasce no meio desse doloroso processo, de atropelo, de relance, de exato e preciso, como o que imaginei e n\u00e3o como o que \u00e9, ou foi.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>De repente, o velho romancista olha, e v\u00ea. De repente o exigente diretor do bal\u00e9, sente e \u00e9. E certamente \u00e9 de lugar nenhum. Ou n\u00e3o me conteste quanto isso pode me irritar a cada ensaio. A cada movimento onde certamente haver\u00e1 dor, e mais dor, e dias, meses, anos de doloroso ensaio. N\u00e3o vai, n\u00e3o vai, n\u00e3o vai, a montagem n\u00e3o vai acontecer, n\u00e3o tem quem pague, n\u00e3o tem ningu\u00e9m para o papel, e vice-versa, e de novo, n\u00e3o vai, n\u00e3o vai, n\u00e3o tem ningu\u00e9m pro papel, n\u00e3o tem quem pague.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 um &#8220;D\u00e9j\u00e0 vu&#8221;! Concretamente um &#8220;D\u00e9j\u00e0 vu&#8221; \u00e9 quando eu me pergunto: &#8220;quem \u00e9?&#8221; E n\u00e3o &#8220;onde \u00e9?&#8221; Como uma lembran\u00e7a que n\u00e3o existe nem nunca existiu. \u00c9 quando o velho romancista v\u00ea a personagem, quando o diretor do bal\u00e9 v\u00ea seu cisne. \u00c9 quando a vaga e o humano em quest\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa, e n\u00e3o alguma coisa a se fazer, colocar, ou tomar provid\u00eancia, por evidente que ao encontrar a pessoa certa h\u00e1 muito que se fazer. \u00c9 a perfeita desmensura do que n\u00e3o h\u00e1 o que se fazer por tanto que se tem ainda muito a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o alguma coisa que veio de algum lugar ou de algu\u00e9m, e n\u00e3o si em si o fato se define por si pr\u00f3prio. \u00c9 algu\u00e9m a fim, n\u00e3o \u00e9 um lugar. N\u00e3o ainda que as duas coisas de sobremodo se pare\u00e7am e a defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, e o per\u00edodo em que somos comumente acometidos por isso, nos diga muito mais de algum lugar, ou de algu\u00e9m de alguma outra companhia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>@CoexistenceLaw<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Oliveira Brasil, 15 de dezembro de 2023. &#8220;D\u00e9j\u00e0 vu&#8221;, tem uma s\u00e9rie de defini\u00e7\u00f5es mais ou menos precisas, \u00e9 mais comum numa determinada idade, mas para mim \u00e9 um pouco quando eu pergunto para mim mesmo: &#8220;quem \u00e9?&#8221; E isso n\u00e3o \u00e9 uma atitude, \u00e9 uma lembran\u00e7a. Eu diria que n\u00e3o me \u00e9 estranha<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=922\" class=\"more-link\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-922","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-preaching"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/922"}],"collection":[{"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=922"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":929,"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/922\/revisions\/929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/coexistencelaw.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}