{"id":690,"date":"2023-03-31T03:43:34","date_gmt":"2023-03-31T06:43:34","guid":{"rendered":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=690"},"modified":"2023-03-31T04:28:59","modified_gmt":"2023-03-31T07:28:59","slug":"o-desejo-e-a-metade-da-vida-a-indiferenca-a-metade-da-morte-khalil-gibran","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=690","title":{"rendered":"O desejo \u00e9 a metade da vida; a indiferen\u00e7a a metade da morte! &#8211; Khalil Gibran"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Murilo Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Brasil, 31 de mar\u00e7o de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a frase de Khalil Gibran me inspire uma reflex\u00e3o dif\u00edcil, mas em principio o que eu queria propor \u00e9 que nem sempre temos na const\u00e2ncia dos fatos a regularidade dos afetos. Vamos ver se consigo explicar isso. O antrop\u00f3logo que coloca duas gaiolas de vidro com dois primatas um ao lado do outro constata que h\u00e1 uma const\u00e2ncia no fato de que o primata, seja ele Chipanz\u00e9 ou Bonobo, quando v\u00ea seu par ganhar uma uva e ele um pepino, invariavelmente se insurge. Quando ambos ganham uva ou pepino, tudo bem. \u00c9 uma esp\u00e9cie de fato que pode-se chamar de constante.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumidamente, como j\u00e1 disse aqui, esses dois primatas s\u00e3o igualmente pr\u00f3ximos ao ser humano, o Chipanz\u00e9 de forma superficial como posso explicar o pouco que apreendi a respeito, \u00e9 uma sociedade masculina, territorialista, o Bonobo, uma sociedade feminina n\u00e3o territorialista. Haveria um vest\u00edgio de luz aos dias de hoje nessas duas sociedades, \u00e9 o que se alega em estudos recentes. Mas aqui vou a constata\u00e7\u00e3o como me parece, me esfor\u00e7ando no sentido da proposi\u00e7\u00e3o como sempre tentei pensar e agir. Pragm\u00e1tico por\u00e9m pro-ativo em quase todo o tempo de estudante e ativista politico ativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o? A mec\u00e2nica das rela\u00e7\u00f5es Bonobo acontecem com uma certa const\u00e2ncia e regularidade, que nos leva a supor uma sociedade aberta e flagrantemente mais afetiva. Quando isso diz mais de quem v\u00ea, do que quem \u00e9 visto. O humano vendo as diverg\u00eancias aparentarem entre si uma solv\u00eancia simples em rela\u00e7\u00f5es sexuais entre todos num espa\u00e7o n\u00e3o t\u00e3o bem delimitado, cr\u00ea para si que est\u00e1 diante de uma rela\u00e7\u00e3o mais profundamente afetiva, e essa suposi\u00e7\u00e3o por hora \u00e9 meramente humana. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel extrair se trata-se de uma express\u00e3o da viol\u00eancia reinante ou n\u00e3o. O que temos de fato sobre isso, at\u00e9 onde eu acompanhei a exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 o dado dos dois aqu\u00e1rios, onde n\u00e3o se conforta um com um pepino onde aquele ao lado ganhou uma uva.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui vem a fronteira curiosa de porqu\u00ea vou a Khalil Gibran, e vou porque para esse autor o desejo \u00e9 paradigm\u00e1tico. O desejo nos imp\u00f5e uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es onde queremos bater no vidro do aqu\u00e1rio do outro e dizer: ei, isso \u00e9 injusto! Eu tamb\u00e9m quero uma uva! O desejo est\u00e1 paradoxalmente oposto a indiferen\u00e7a em que se v\u00ea determinadas rela\u00e7\u00f5es acontecerem numa frequ\u00eancia e const\u00e2ncia tal de qualquer m\u00ednima diverg\u00eancia dos circunstantes, que \u00e9 uma express\u00e3o de profunda viol\u00eancia. Paradoxal que s\u00e3o os dois sentimentos, todo mundo tem um pepino por assim dizer.<\/p>\n\n\n\n<p>E da\u00ed que eu estou a essa altura de avaliar isso, correndo atr\u00e1s do rabo com um conceito que se n\u00e3o o territorial do Chipanz\u00e9, \u00e9 talvez o dado greg\u00e1rio do ser humano. Quero assumir que eu n\u00e3o estou combatendo um dado, mas tentando imaginar que segundo uma conceitua\u00e7\u00e3o infantil minha pr\u00f3pria, bastante antiga eu diria, o amor \u00e9 uma esp\u00e9cie de proposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o exatamente ou apenas uma matem\u00e1tica em si, que as vezes soam insol\u00faveis, mas no sentido de que \u00e9 de se propor diariamente a uma determinada compreens\u00e3o e conviv\u00eancia, um aux\u00edlio mutuo que o seja, edifica-se a hip\u00f3tese de Gibran me parece fazer &#8220;de gato e sapato&#8221;. Ningu\u00e9m \u00e9 &#8220;gato e sapato&#8221; at\u00e9 que esteja sujeito a uma hip\u00f3tese externa a si, que lhe exija um tanto de se propor demasiado. Um fator greg\u00e1rio eu diria.<\/p>\n\n\n\n<p>A suposi\u00e7\u00e3o humana vai dizer puramente da forma que ele pretende ver por exemplo uma rela\u00e7\u00e3o sexual at\u00e9 aqui, estendendo essa vis\u00e3o at\u00e9 o ponto que um primata que no primeiro sinal de viol\u00eancia latente se atraca sexualmente com o outro, sem considerar dados de uma humanidade ainda mais sutil. Me lembro de ver isso em contos publicados em jornal de Machado de Assis. Dados de um trato cordial. O termo talvez seja esse, trato cordial. Em um universo do &#8220;voc\u00ea me paga&#8221;, como aparenta ser esse universo Bonobo, onde da viol\u00eancia vem a interpela\u00e7\u00e3o sexual, parece que todos est\u00e3o totalmente &#8220;pagos&#8221; por assim dizer. Mas a viol\u00eancia de fundo n\u00e3o inconsiste.<\/p>\n\n\n\n<p>No que come\u00e7o a ensaiar a partir desse ponto, um conceito simples, que \u00e9 o conceito de comunidade. O conceito simples de comunidade. Que n\u00e3o o combate ao dado, de por exemplo que podemos e em alguma circunstancia at\u00e9 tendemos, a uma sociedade talvez com menos fronteiras, mas a sa\u00fade que se ensaia em toda parte \u00e9 ao mesmo tempo diversa da imensa log\u00edstica de se produzir de forma otimizada de tudo por toda a Terra, mas ter ali no raio de 5 km de sua casa uma excel\u00eancia de sa\u00fade no acesso a servi\u00e7os e rela\u00e7\u00f5es humanas, que n\u00e3o contradiz, mas \u00e9 paradoxal em certa medida com a percep\u00e7\u00e3o de alcance que as comunica\u00e7\u00f5es por exemplo passam a ter, bem como a possibilidade de ser uma cidad\u00e3o do mundo. E sa\u00fade em servi\u00e7os e rela\u00e7\u00f5es humanas, \u00e9 um par\u00e2metro bastante concreto onde todos gostam de uva!<\/p>\n\n\n\n<p>Uva e pepino em rela\u00e7\u00f5es humanas, em par\u00e2metros de desejo e indiferen\u00e7a, difere entre uma coisa e outra uma imensid\u00e3o. Uva \u00e9 metade da vida, pepino metade da morte! Uva \u00e9 desejo, pepino \u00e9 o que tem. Os tais modos de Machado de Assis, de algum lugar que certo dia parei em Machado de Assis. Que as vezes me remete a um comercio qualquer que hoje existe em sua casa no Cosme Velho, me remete a todos os com\u00e9rcios que frequento, teria sempre eu em todos os casos algum desejo de consumo, mas a desejar algu\u00e9m dali, me \u00e9 longo e demorado trato cordial. Para mim \u00e9 diferente chegar na necessidade de pedir a chave do banheiro e observar com calma gestos e maneiras. Mist\u00e9rios, segredos, recobertos, discretos, contidos, fantasiosos! Esse \u00e9 o dado, a uva vista atrav\u00e9s do vidro ali ao lado \u00e9 um dado fantasioso do desejo escruciante.<\/p>\n\n\n\n<p>Concretamente, as pessoas ainda n\u00e3o pararam de usar roupas fora do Brasil. E claramente meu desejo de consumo quando vou a um comercio comprar algo se confunde muito pouco com meus desejo pelo pr\u00f3ximo de forma mais profunda. Eu sei, n\u00e3o sou unanime nisso nem entre meus amigos mais pr\u00f3ximos, mas h\u00e1 de se fazer diferen\u00e7a, a despeito de como disse, no Brasil j\u00e1 n\u00e3o se costuma muita cerim\u00f4nia. Para o que quero dizer que meio a meio, existe um limite t\u00eanue entre desejo e indiferen\u00e7a. Desejo \u00e9 uma metade da vida alimentada por sutilezas pouco a cada dia, indiferen\u00e7a \u00e9 metade da morte que n\u00e3o precisa de maiores delongas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>@CoexistenceLaw  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Oliveira Brasil, 31 de mar\u00e7o de 2023. Talvez a frase de Khalil Gibran me inspire uma reflex\u00e3o dif\u00edcil, mas em principio o que eu queria propor \u00e9 que nem sempre temos na const\u00e2ncia dos fatos a regularidade dos afetos. Vamos ver se consigo explicar isso. 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