{"id":581,"date":"2022-11-13T16:31:45","date_gmt":"2022-11-13T19:31:45","guid":{"rendered":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=581"},"modified":"2022-11-30T05:45:14","modified_gmt":"2022-11-30T08:45:14","slug":"risco-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=581","title":{"rendered":"Risco Fiscal"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Murilo Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Brasil, 13 de novembro de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Retomo aqui algumas considera\u00e7\u00f5es que fiz em 6 de julho de 2022, ainda sobre os riscos fiscais assumidos pelo Governo Bolsonaro: &#8220;As portas que se abrem nunca mais fecham. E aqui eu devo dizer que tenho plena compreens\u00e3o sobre quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias estatais e a inconsequ\u00eancia quanto a isso. Por exemplo, quando se opta por juros altos e infla\u00e7\u00e3o alta, como explico aqui a Teoria Fiscal do N\u00edvel de Pre\u00e7os de Andr\u00e9 Lara Resende de forma breve em outros posts, entendo que no macro o que foi feito por esse governo \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o pela fome, e agora se esfor\u00e7a por provid\u00eancias profil\u00e1ticas, que vem a comprometer de forma clara e inconsequente o equil\u00edbrio fiscal no pa\u00eds. Quer dizer, \u00e9 uma bola de neve, que algu\u00e9m daquela altura igual a do Presidente e ao lado dele, lan\u00e7ou sobre todos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O que implica dizer, se hoje escutamos o discurso de &#8220;risco fiscal&#8221;, o que \u00e9 uma antiga proposi\u00e7\u00e3o para um aparentemente pobre pa\u00eds insolvente internacionalmente, isso guarda rela\u00e7\u00e3o com a sua avassaladora chegada em um muito pr\u00f3ximo segundo lugar nas elei\u00e7\u00f5es gerais rec\u00e9m acontecidas no Brasil, usando do artif\u00edcio do aumento do que chama &#8220;Aux\u00edlio Brasil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 o ponto? Esse discurso estava posto desde aquele momento, o que n\u00e3o se dispunha era previs\u00e3o para continuidade desse aux\u00edlio, onde todos os candidatos foram obrigados a se comprometer com isso diante do eleitorado, mas nenhum tinha compromisso com o dia seguinte desse fato. O que se come\u00e7a a pensar agora, e n\u00e3o se trata de 10 segundos de fala, se trata de 4 meses de d\u00favida se iriamos &#8220;tombar&#8221;, ter um pr\u00f3ximo governo seja qual fosse inadimplente perante esse compromisso. E n\u00e3o vamos ter um pr\u00f3ximo governo inadimplente diante desse compromisso. Acho que justo seria aduzir se o mercado aventava nesses 4 meses entre assumir esse risco fiscal, e a apresenta\u00e7\u00e3o das adequa\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias concernentes, ou se Bolsonaro iria em segundo mandato se tornar inadimplente desse compromisso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aqui at\u00e9 deveriamos ir adiante, deveriamos considerar que diante de tal risco mais perene ou n\u00e3o, assumido pelo Governo Bolsonaro, hoje faz a discuss\u00e3o econ\u00f4mica no pa\u00eds regredir ao ponto mais cl\u00e1ssico da costumeira e aludida bola de neve que vivemos durante algum per\u00edodo onde o aumento de juros guardava uma rela\u00e7\u00e3o simples com risco. Esse \u00e9 o ponto, a partir de determinado momento a indetermina\u00e7\u00e3o e irracionalidade passa a imperar como justificativa em si. Um nivel elevado de juros \u00e9 entendido como uma ado\u00e7\u00e3o de um n\u00edvel de risco diante de uma determinada situa\u00e7\u00e3o fiscal, que clama por mais juros para justificar esse risco tomado pelo investidor internacional. \u00c9 uma proposi\u00e7\u00e3o em si e para si, que n\u00e3o atende l\u00f3gicas mais amplas e externas a pr\u00f3pria l\u00f3gica do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>E qual \u00e9 a l\u00f3gica do mercado? Quando n\u00e3o existe atividade produtiva capaz de remunerar o investidor, j\u00e1 combalida pelos altos juros, se pede por mais juros onde se possa refugiar o investidor sem remunera\u00e7\u00e3o na atividade produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que sabemos \u00e9 que buscamos de alguma forma ser esse refugio do capital internacional sem remunera\u00e7\u00e3o na atividade produtiva em todo mundo, e ao considerar o ritmo das coisas, passamos a ouvir um discurso herm\u00e9tico onde isso perde rela\u00e7\u00e3o com economia real. \u00c9 de longa data aqui discutido em meus posts anteriores, muitas vezes me valendo de Andr\u00e9 Lara Resende, que hoje est\u00e1 na equipe de transi\u00e7\u00e3o e passa a ser aposta certa para o Minist\u00e9rio da Fazenda, que francamente deve-se coordenar politica monet\u00e1ria com politica fiscal. Mas mais que isso, a minha proposi\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 que no Brasil a aus\u00eancia dessa coordena\u00e7\u00e3o de policia monet\u00e1ria com politica fiscal, como se nota a cada instante mais no Governo que deixa o Planalto no primeiro de janeiro, tem como prop\u00f3sito tornar o Brasil o mesmo que j\u00e1 foi num passado recente. Uma col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o, onde todo o suor do brasileiro escorre para o bolso daquele que hora n\u00e3o tem, e muitas vezes nem pretende, investimento em atividade produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 d\u00e9bil o efeito de juros altos diante do que chamei de &#8220;disrup\u00e7\u00e3o de oferta&#8221;. Claramente no meu ponto de vista a a\u00e7\u00e3o de uma politica monet\u00e1ria de juros altos tem resultados diante de uma demanda descontrolada, e n\u00e3o de oferta obstada. Isso merece estudos adequados, mas tende nitidamente a uma aplica\u00e7\u00e3o limitada. O que se pode presumir \u00e9 que ter\u00edamos no mercado uma crise na renda vari\u00e1vel, que n\u00e3o se encontraria mais explica\u00e7\u00e3o para apostar numa economia global vigorosa como um touro, mas sim uma era do gelo, onde o urso constr\u00f3i historicamente ref\u00fagios de extrativismo econ\u00f4mico t\u00e3o evidentes e tristes aqui nos tr\u00f3picos, que os discursos v\u00e3o em algum termo serem justificados em si mesmos. Mais juros pede mais juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso, vale afirmar, n\u00e3o s\u00e3o os dez segundos de fala de um, nem o nervosismo de outros, \u00e9 a irracionalidade se valendo de si mesma, num movimento tardio como aponto um lapso de pelo menos 4 meses, em que na vis\u00e3o de alguns, um pa\u00eds que tem diversos papeis inclusive os mais elementares e importantes na cadeia produtiva internacional, se prestar ao ref\u00fagio de capitais que n\u00e3o encontram mais remunera\u00e7\u00e3o em parte alguma do mundo na atividade produtiva, e com isso passam a subtrair folego da economia nacional brasileira, e postegar seus imperativos redistributivos, para se valer de um pal\u00edndromo bastante cruel de forma geral que \u00e9 mais juros implica em mais risco, logo mais risco implica em mais juros. N\u00e3o \u00e9 uma considera\u00e7\u00e3o de macro economia que deva amarrar as leituras mais amplas de forma alguma por qualquer governo, t\u00e3o pouco o brasileiro, ainda que se pense n\u00e3o no macro das necessidades do pa\u00eds, mas em simplesmente refugiar esse extrativista do folego econ\u00f4mico nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Alerto desde j\u00e1, o governo passado do Partido dos Trabalhadores foi brindado com um ciclo do touro, agora vem novamente a ocupar o posto em ciclo do urso. E esse tipo de considera\u00e7\u00e3o externa a l\u00f3gicas mais amplas, vir\u00e1 a ser muito mais forte que em outros momentos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>@CoexistenceLaw  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Oliveira Brasil, 13 de novembro de 2022. 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