{"id":290,"date":"2022-04-16T22:36:48","date_gmt":"2022-04-17T01:36:48","guid":{"rendered":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=290"},"modified":"2022-05-09T03:25:36","modified_gmt":"2022-05-09T06:25:36","slug":"povo-mura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=290","title":{"rendered":"Povo Mura"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Murilo Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Brasil, 16 de abril de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o primo pela educa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, mas vou tentar tecer alguns coment\u00e1rios superficiais se me permitem, sobre o Plano Nacional de Fertilizantes, em especial sobre a jazida de Fazendinha no Rio Madeira, para a explora\u00e7\u00e3o de Pot\u00e1ssio. Eu vou tentar dividir isso em tr\u00eas pontos, mas antes quero aventar dados de forma descompromissada como esse blog \u00e9 com tecnicidades profundas, onde hoje temos por alto uma jazida produzindo 350 mil toneladas de Pot\u00e1ssio se exaurindo e o Plano Nacional de Fertilizantes prev\u00ea o atingimento de uma meta de 6 milh\u00f5es de toneladas de Pot\u00e1ssio por ano, e Fazendinha, por alto assevero isso, poderia responder 1,4 milh\u00f5es de toneladas ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que falo aqui de Pot\u00e1ssio? Porque sabemos desde do tempo que fomos plantar batatas que NPK, Nitrog\u00eanio, Fosforo, e Pot\u00e1ssio, s\u00e3o para agricultura a ess\u00eancia do que pede em termos de insumos essenciais. E hoje temos uma agricultura de propor\u00e7\u00f5es globais, que respondem pela maior parte do nosso saldo na balan\u00e7a comercial, e sem isso, e a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia nos prop\u00f5e um cen\u00e1rio adverso desse fertilizante importado da regi\u00e3o conflagrada, temos uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica extremamente preocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos aos 3 pontos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>O Mico<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>O conflito R\u00fassia e Ucr\u00e2nia elevou o pre\u00e7o da tonelada de Pot\u00e1ssio de 200 d\u00f3lares a tonelada para 900 d\u00f3lares a tonelada, e isso acendeu nossas luzes de alerta para a proposi\u00e7\u00e3o de um plano estrat\u00e9gico que nos livre dessa depend\u00eancia externa uma vez que ela pode chegar a descontinuidade de fornecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 era desde do primeiro Plano Nacional de Fertilizantes esse um setor estrat\u00e9gico conforme escuto muitas hist\u00f3rias do Professor Paulo Abib. Certamente o pioneiro vision\u00e1rio da necessidade gritante de desenvolver m\u00e9todos e processos, voltados para \u00e1rea de fertilizantes, para que n\u00e3o nos v\u00edssemos quase 50 anos depois do primeiro Plano Nacional de Fertilizantes nessa sinuca de bico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas qual \u00e9 o ponto, embora existam poucos players no mundo operando a minera\u00e7\u00e3o de Pot\u00e1ssio, e menos pa\u00edses ainda com jazidas, pode-se afirmar, ainda nos meus parcos estudos, que n\u00e3o se trata de mineral raro, muito pelo contr\u00e1rio h\u00e1 uma superoferta. E para ilustrar isso chamo aten\u00e7\u00e3o que por exemplo em toda a costa, no pr\u00e9-sal, existe essa hip\u00f3tese carente de melhores estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que eu chamo de Mico? Ou chance de Micar? Come\u00e7a-se hoje a trabalhar desesperadamente numa hip\u00f3tese de processos caros em todos os sentidos no Rio Madeira, a 900 d\u00f3lares a tonelada, e isso retorna t\u00e3o logo essa jazida esteja produzindo para o patamar de 200 d\u00f3lares. Esse \u00e9 Mico. Ou parte dele, o segundo ponto que aqui vou ilustrar \u00e9 o Mico Le\u00e3o Dourado.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\"><li>Risco Ambiental<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>A minera\u00e7\u00e3o de Pot\u00e1ssio na regi\u00e3o da Fazendinha implica que tenhamos como rejeito desse produto, cloreto de s\u00f3dio. Sal de cozinha. As toneladas. Isso quer dizer que ele n\u00e3o pode ser despejado no Rio Madeira \/ Amazonas. Existem processos para isso, como enterrar de volta todo esse sal, ou mesmo lev\u00e1-lo em embarca\u00e7\u00f5es at\u00e9 o mar. \u00c9 um risco subst\u00e2ncial, contorn\u00e1vel, mas n\u00e3o desprez\u00edvel. Salgar o Amazonas todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui h\u00e1 quem diga que isso foi feito no Rio Reno todo e ningu\u00e9m morreu. N\u00e3o acredito que seja nem a quest\u00e3o de exemplo, mas de processos. Existem processos adequados, e mais que isso, dentro do que chamei anteriormente de Mico, temos que considerar que n\u00e3o vem a ser uma planta simples. Temos uma regi\u00e3o de prospec\u00e7\u00e3o alagadi\u00e7a, ou melhor, isso se d\u00e1 em 700 a 1000 metros de profundidade no leito do rio, quase 600 metros de lamina de \u00e1gua. S\u00e3o processos complicados e caros.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\"><li>Solubilidade<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>H\u00e1 de se considerar por fim, que temos um problema quanto ao produto final, que n\u00e3o \u00e9 exclusividade desse, mas uma condi\u00e7\u00e3o ainda pouco evolu\u00edda de nossa pr\u00f3pria circunst\u00e2ncia agricultural que \u00e9 utilizarmos fertilizantes de alta solubilidade de forma geral como compramos de todo o mundo, e nesse caso n\u00e3o diverge, onde temos um regime de chuvas severo. Perde-se muito em fertilizantes desse tipo em nossas culturas. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 exclusividade dessa ocorr\u00eancia espec\u00edfica, e devem se associar novas t\u00e9cnicas a agricultura nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso posto, e n\u00e3o \u00e9 o Posto Ipiranga, precisamos pensar para gritar Independ\u00eancia ou Morte, de forma capaz a contemplar a atividade mineradora, que n\u00e3o sejam solu\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am a gente morrer com certas cartas da m\u00e3o, t\u00e3o pouco esquecer de outros elementos centrais, como a tributa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode em princ\u00edpio criar um ambiente tribut\u00e1rio hostil a inova\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o de processos com vistas a substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, que gere atrasos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou radicalizar a hip\u00f3tese tribut\u00e1ria, vamos ao que eu chamo de reinventar a roda. Imagine que mineramos Fosfato por anos rejeitando o Ur\u00e2nio. Em certo momento acordamos que t\u00ednhamos jazidas de Fosfato ricas tamb\u00e9m em Ur\u00e2nio naquilo que rejeit\u00e1vamos e jog\u00e1vamos fora. Reinventar a roda seria criar um ambiente de inefici\u00eancia tal que em algum momento reinventamos a roda, come\u00e7amos a revirar rejeitos de um primeiro processo de prospec\u00e7\u00e3o nos dando conta que algo a mais poderia ser aproveitado dali.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o quero me perder da quest\u00e3o central, deve-se necessariamente criar um ambiente de investimento favor\u00e1vel com efici\u00eancia tribut\u00e1ria, e prop\u00edcio ao investimento, que at\u00e9 2050 seria de 120 bilh\u00f5es de reais, e diferente do primeiro Plano Nacional de Fertilizantes que foi em sua quase integralidade capitaneado pelo BNDS.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>@CoexistenceLaw<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Oliveira Brasil, 16 de abril de 2022. 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