{"id":1552,"date":"2025-01-16T20:17:06","date_gmt":"2025-01-16T23:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=1552"},"modified":"2025-01-16T20:17:30","modified_gmt":"2025-01-16T23:17:30","slug":"morre-david-lynch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coexistencelaw.org\/?p=1552","title":{"rendered":"Morre David Lynch"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Murilo Jambeiro de Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Brasil, 16 de janeiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na virada do ano pensava um pouco em David Lynch, cheguei a publicar o poema de Lorde Alfredo Tennyson: &#8220;Nada Vai Morrer&#8221;, do filme &#8220;O Homem Elefante&#8221; de Lynch. Certamente a lembran\u00e7a do filme me era renitente aquela hora da noite e ainda \u00e9 a essa altura do dia da morte do diretor. Talvez valha um aperitivo do filme:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Durante o final do s\u00e9culo XIX em plena era vitoriana, o Doutor Frederick Treves, cirurgi\u00e3o do Royal London Hospital, encontra John Merrick em um espet\u00e1culo de aberra\u00e7\u00f5es circense onde ele \u00e9 apresentado como &#8220;O Homem-Elefante&#8221;, sendo mantido pelo Sr. Bytes, um animador de circo alco\u00f3lico e s\u00e1dico. Sua cabe\u00e7a \u00e9 mantida encapuzada e seu &#8220;dono&#8221;, que o v\u00ea como deficiente intelectual, \u00e9 pago por Treves para lev\u00e1-lo ao hospital onde o m\u00e9dico trabalha para exibir Marrick em uma palestra no local. Treves apresenta Merrick aos seus colegas e destaca seu cr\u00e2nio monstruoso, que o for\u00e7a a dormir com a cabe\u00e7a entre os joelhos, j\u00e1 que se ele se deitasse normalmente poderia morrer asfixiado. Em seu retorno para o beco de Bytes localizado no East End em Londres, Merrick \u00e9 violentamente espancado pelo seu ganancioso dono, for\u00e7ando o s\u00e1dico animador a contatar Treves novamente para socorrer medicamente a criatura. Treves, ent\u00e3o, leva John Merrick de volta ao hospital.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma est\u00f3ria terrivelmente triste, mas na raiz da minha lembran\u00e7a est\u00e1 um profundo desconforto meu comigo mesmo. Acho que por isso a lembran\u00e7a. Eu h\u00e1 bastante tempo sem receber amigos ou visitas, ap\u00f3s um processo longo de mais de dois anos tentando recuperar a forma f\u00edsica, o folego, as melhores condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, sofri um grande rev\u00e9s em rela\u00e7\u00e3o a tudo tudo, ganhando novamente muito peso rapidamente, e me sentindo um pouco como &#8220;O Homem Elefante&#8221; de Lynch. Uma esp\u00e9cie de terror de si e solid\u00e3o profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem sido dias dif\u00edceis, e ajuda n\u00e3o brota pela casa, antes a sensa\u00e7\u00e3o de desola\u00e7\u00e3o, solid\u00e3o, e aberra\u00e7\u00e3o. Em um dia voc\u00ea tem um corpo que voc\u00ea pode correr alguns quil\u00f4metros e se sentir renovado, em outro pequenos passos lhe s\u00e3o um esfor\u00e7o gigantesco, algo t\u00e3o estranho a si como desolador, se n\u00e3o fosse primordialmente o sentimento de solid\u00e3o e solid\u00e3o, um tipo de atra\u00e7\u00e3o circense aberradora, que para os poucos que lhe tem num h\u00e1bito de visita \u00e9 uma aparente inutilidade intelectual. Lynch expressa o sentimento, quando entre uma coisa e outra, \u00e9 de causar surpresa que o protagonista saiba um Salmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Gosto especialmente da abordagem de Lynch porque \u00e9 comum me deparar com obras que tomaram o vi\u00e9s da crueldade circense. J\u00e1 vai algum tempo que li alguma coisa do g\u00eanero, mas era at\u00e9 uma dica de Polly Jean Harvey se n\u00e3o me engano, onde para mim a moral da hist\u00f3ria \u00e9 que o p\u00fablico em geral deseja sangue e mais sangue dos seus \u00eddolos. N\u00e3o \u00e9 estranha nem a composi\u00e7\u00e3o de &#8220;Prociss\u00e3o&#8221;, ou &#8220;Jesus no Xadrez&#8221;, do Cordel do Fogo Encantado, sobre como se bate cada vez mais forte naquele que anima o circo. A quest\u00e3o \u00e9 que Lynch liga isso ao sentimento de solid\u00e3o profunda e estranheza. Ningu\u00e9m quer conversar sobre nada, ningu\u00e9m quer te ver, e de repente seu corpo n\u00e3o corresponde nem mais para uma x\u00edcara de caf\u00e9. O p\u00fablico proclama sua inutilidade intelectual, e aguarda sangue e mais sangue. \u00c9 voc\u00ea uma aberra\u00e7\u00e3o, e como escutava o Maestro Dudamel: &#8220;Nada Vai Morrer&#8221;. Tudo transcorre para todos, todos os dias, em toda parte, na mais natural normalidade. Qui\u00e7\u00e1 seja atra\u00e7\u00e3o bissexta, uma referencia vaga, uma nota de isolamento e estranheza de fato.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>@CoexistenceLaw  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Jambeiro de Oliveira Brasil, 16 de janeiro de 2025. Na virada do ano pensava um pouco em David Lynch, cheguei a publicar o poema de Lorde Alfredo Tennyson: &#8220;Nada Vai Morrer&#8221;, do filme &#8220;O Homem Elefante&#8221; de Lynch. 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