Big Manga

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Murilo Oliveira

Brasil, 21 de fevereiro de 2022.

Eu tenho feito uma reflexão, no sentido de que o Brasileiro tende a divergir muito da maioria dos povos do mundo, pelo seu traço cordial ser na realidade uma passionalidade muito pronunciada. No meu ponto de vista é a enorme divergência que existe em quase tudo, um povo passional.

Existem muitos exemplos disso, mas eu estava pensando com meus botões vendo seleções brasileiras campeãs do mundo, e em geral me parecia que em todas havia isso, que até no futebol só logramos exito quando esse componente é perceptível. Age para bem e para mal essa passionalidade no Brasileiro, para melhor e para pior dos seus julgamentos, mas age invariavelmente de uma forma mais pronunciada que em qualquer outro lugar, ou a maioria deles.

Penso as vezes em relação a chineses, russos, alemães, até mesmo franceses, como essa divergência, essa passionalidade pronunciada, nos coloca em outro lugar dos fatos, de sua interpretação e aplicação. Nos joga sempre na mais divergente das hipóteses, em algum lugar da nossa latinidade, que é bem própria. Talvez Sergio Buarque de Holanda fale do Ser “cordial”, mas que pese o autor estivesse se referindo a coração a gente tende a ler como cordato. E não é a mesma coisa. Passional me parece o termo que traduz da forma exata.

E alguém levanta a mão na sala e diz, francês também é latino! Mas não chega a ser passional nem um por cento do Brasileiro no meu ponto de vista.

Se a gente levar isso ao russo e ao chinês, a divergência é enorme em termos do que se pode idealizar de sociedade e suporte popular possível para projetos de longo prazo por exemplo. Cordial não é cordato.

Pode vir a ser, mas sabe algo que age dentro de margem errática da hipótese, e não pela confluência do fato?

O passional resulta no sujeito que concorda e discorda com a mesma regularidade entre uma coisa e outra, do exercício de suas próprias razões. Pode como não ser absolutamente cordato. No meu ponto de vista é isso que vai ilustrar o Brasileiro bem como tornar adversa toda aplicação da ciência politica, e até da sociologia dos costumes.

E dai me vem o esdruxulo do anedotário, trocou um estado por cavalos, trocou uma floresta por espelhinhos, trocou alguma coisa por qualquer coisa de menor valor. Eu costumo trocar coisas por beijos.

Se eu fosse falar a verdade é talvez o que nos faz tender a corruptos, fica talvez na mesma chave de entendimento, mas não é o entendimento de base que eu estou a investigar. É mesmo como a ausência de lógica opera entre nós.

E por que essa coisa do povo passional estava na introdução? Porque eu imagino que povos passionais exijam níveis de consenso ainda mais altos. São ainda mais difíceis.

As pessoas confundem pessoas norteadas a nível de consenso alto, com pessoas comunistas por exemplo, afeitos que são muito mais a coisa publica do que aos negócios privados. Em qualquer lugar é de extrema valia uma pessoa norteada a produzir um nível de consenso alto, tanto na iniciativa privada como nos negócios públicos, mas nos negócios públicos eles valem ouro. Na iniciativa privada é sintomático que o sujeito que gera todo tipo de dissenso no grupo e se sobressai de uma forma dolosa, é um sujeito rentável. Ele não é o topo das hipóteses, mas ele consegue se manter no topo dos negócios privados.

Nos negócios públicos só a espécie mais pura do que tem extrema valia é de fato o que alcança a longevidade e a paz nos desaventos. É de uma superficialidade atrós achar que quem é norteado para o consenso seja um imprestável de um comunista e quem é norteado para o dissenso um tremendo capitalista, não é a verdade. Em qualquer dos casos a personalidade agregadora é o que há de mais proveitoso. Até porque falamos do que no direito chamamos de teoria pura, desprovida do valor que se busca consensuar.

O sujeito agregador conduz todos até lá, o sujeito desagregador se conduz até lá sozinho. E onde entra o povo passional? Eles não vem a logica da agregação simples e racional. Não se agregam pela razão logica. Cada sujeito tem nuances, idiossincrasias, e peculiaridades, que só o agregador mais talentoso é capaz de unir tento por tento. São duas coisas que divergem na superficialidade da abordagem das pessoas, o que somos ou nos tornamos, e o que temos como rotulo mais conhecido. Mas fundamentalmente eu vejo essa grande diferença entre tipos de pessoas, que não tem relação alguma com o sucesso profissional delas, mas diz de um tipo de pessoa mais corriqueira e de um tipo de pessoa absurdamente mais rara. Tão rara quanto passa a ter aplicação em negócios que fundamentalmente são ingratos, como negócios públicos.

E tão mais avançados que eles podem ter 200 milhões de chefes. Quando o outro é chefe de 200 que ele consegue manter andando em círculos pelo máximo tempo possível. E dai que o sucesso financeiro é absolutamente fruto desse tipo de acaso, e não de uma perfeita justiça.

Um povo passional vem a consensuar as coisas por razões tão pessoais, sutis, e ilógicas, quanto se possa pensar e se cansar de todos. Um nível de consenso em meio a um povo como esse exige de uma liderança o mais extenuante dos trabalhos. Nada paga, nada lhe é grato. Existe pontos, bolsões de pessoas, que agem como manadas de um forma clara, mas nem isso se faz absolutamente simples e tendente ao melhor desfecho.

Eu dizia sobre moral reinante, no Brasil, entre Sampa e Rio diverge um absurdo, entre uma cidade pequena rica e uma cidade pequena pobre diverge uma enormidade, entre norte e sul uma imensidão, e em cada desses lugares existem círculos próprios, enclaves, bolsões, divergentes. É muito mais fácil se esforçar por homogeneidade de uma Alemanha, ou de uma França, em termos de moral média, do que do Brasil. Até mesmo em relação a Asiáticos, por maiores que sejam, ou Russos, é mais fácil achar uma moral média.

Os nossos consenso são muito mais frágeis.

É o que eu disse para uma amiga, que por exemplo, num assunto sobre o sexo por exemplo, que você consiga que alguém adote uma moral mais frouxa, tá dentro do previsível, que você consiga que essa moral mais frouxa venha a agir em seu favor, em favor de quem propos, é quase certo que essa é a menor das chances.

A corrupção politica vai na mesma linha, que você consiga que o sujeito se torne corrupto não é longe do universo possível de se obter, que ele venha a ser seu corrupto cativo é uma ilusão. Inclusive por essa passionalidade. O legislativo brasileiro para mim só tem uma característica, liberal. Fora isso ele não é fiel a ninguém. Você obtêm certamente esse liberalismo em toda legislatura, você nunca tem um senhor muito forte de todo o congresso todo o tempo.

É o marido ou a esposa que leva o outro para suruba, certo é que surubou, e quase logico que o relacionamento entre em crise. Você corrompe a legislatura inteira? Sim corrompe. Mas que ela vá te atender para sempre você se esforce bastante porque não é a logica.

O passional que tem esse traço, quando você se extrema, você assume o risco do extremo oposto. Ainda que não ocorra o extremo oposto, que ocorra o que você pretende, que isso se torne uma questão pessoal contra você que propos, é uma parcela do risco do seu sucesso que não é desprezível.

Como eu disse para essa amiga, eu gosto de falar de gestão de riscos em termos políticos, e acho que para ela isso também é evidente. Você não assume o risco da metade do espectro, você quando se extrema assume o risco de todo o espectro. Em outras palavras, quando você assume o risco de surfar a maior onda do mundo, você assume o risco de morte necessariamente. Você não tem como assumir só o risco da superfície do mar para cima na maior onda do mundo. E o passional ainda te subtrai um tanto de chance dentro do seu espectro de sucesso.

Eu penso que vai de construções coletivas e da tradição de juízos mais universalizantes consensuais.

Quando um povo consegue construir isso historicamente e transmitir isso entre as gerações com sabedoria, de uma forma mais universalizante e consensual, essas coisas tendem a agir de forma lógica. Mas a isso acorrem em pleno desfavor o tamanho do país e sua desigualdade. São tão passionais quanto diversos entre si.

A passionalidade em desmedida gera o intransponível. Passionalidade, que eu estou adotando no lugar de cordialidade, é uma das definições de irracional. No meu ponto de vista é isso um dos dificultadores de um povo, quando eu digo que o mundo tende a falhar na missão de nos dominar, e que para alguns é um fato dado de um povo fracassado, eu vejo um povo extensamente desigual e enlouquecidamente amoroso. Eu brinco com meus autores e filósofos estrangeiros, aplica! Tenta a aplicação de suas lógicas aqui no Brasil e depois você me conta. Dá todo tipo de ponto fora da curva.

Aqui eu tentei formular uma tese do que vem a ser a influencer para a menina jovem, essa que hoje tem em sua principal causa mortes no mundo o suicídio hoje. Isso quer dizer, questões de imagem publica e privada elevadas a complexidade impar. Eu abordo mulheres comuns, medianas. No sentido de entender como a partir do momento que temos armazenamento eterno, e equipamentos de gravação do tamanho alfinete na proporção de um para um dos indivíduos, a revolução feminina fica postergada por uma reles pintora do estuque de gesso da casa, que não cessa de manchar.

A imagem pro feminino é algo muito caro, mais isso era um outro tempo. Hoje isso tem dimensões mais complexas, ou agravadas, de uma alienação do próprio eu as razões de ficar pintando e pintando um teto branco de gesso em vão. A pedagogia e a psicologia social que isso passa a exigir, no meu ponto de vista, posterga hoje e muito o empoderamento feminino, até que se tenha um desenvolvimento pedagógico e de psicologia social compatível. Enquanto não nascemos com isso e alguém capaz explicar, enquanto a sociedade não assimila ao invés de extorquir, extorquir e extorquir, uma multidão de nadadoras de trecho e não visionárias de sua embarcação, é o que temos.

Nada-se trecho por extorsão hoje na causa feminina.

Eu sou otimista, eu acredito que a pedagogia e psicologia social tende a melhor. Mas isso está longe de ser um implicação de grupos isolados da sociedade, e sim um drama da mulher com sua própria imagem pública. A forma que ela a constrói. A construção dita a relação.

Mas não deixa de ser o tal teto branco de gesso que fica-se pintando, apenas tem gente que faz isso por empreitada, que vive de imagem publica, isso incomoda até mais, mas te compreende num universo diverso.

Ou melhor dizendo, cria um universo.

Talvez seja elementar de vossas artes, mas se alienar da questão central de interesse, como pais, filhos, irmãos, é o que estão fazendo por toda parte. Que receba comando de trecho a extorquir e ajam zunindo nesse sentido, já nos é lógica a esse amanhecer do pensamento, mas que não consigam nunca ter a disposição uma única pessoa de confiança ou uma única pessoa que francamente possa confiar em vós como seus pais, filhos, e irmãos, por reiteradas provas dessa arte, é tudo de mais triste que se constata e se repete.

@CoexistenceLaw

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Murilo

Murilo Oliveira is a Brazilian lawyer, the themes proposed here are of variety, without political or religious purposes, as for all those who hold the angelic culture in great esteem.

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