Murilo Jambeiro de Oliveira
Brasil, 10 de janeiro de 2025.
Quando o Presidente Donald Trump pauta o Canadá, a Groenlândia, e o Panamá, como assuntos estratégicos dos Estados Unidos, ele cria uma espécie de “Não-Assunto”. Ou melhor dizendo, ele deixa de pautar a Rússia e a China. Esse é o ponto, como determinados assuntos estão sendo ou não, pautados, e como por exemplo se pode pautar o “Não-Assunto”. Ainda que sejam de fato interesses estratégicos dos Estados Unidos esses, Canadá, Groenlândia, e Panamá.
Eu já disse aqui em outras ocasiões, e não vou me repetir tanto, que acredito que sistemas informáticos, sejam quais forem, precisam e muito de moderação humana, como de resto também já disse bem antes que são sim uma espécie de concessão governamental. O que vemos é a afirmação do “soft power” da América. Esse é o fato. É como a imprensa de todo o mundo está sendo pautada.
E talvez seja esse meu ponto de inflexão mais constante, e para o que o Governo Federal do Brasil está com todas suas preocupações voltadas a essa altura. Ter uma imprensa voltada a pautar os assuntos de maior interesse nacional é ponto fundamental de toda a discussão. Não se pode por exemplo, eu não acredito mais que seja possível e desejável, discutir por exemplo quem será o próximo Chanceler da Alemanha, tão pouco questionar a decisão soberana de outros países como o Parlamento do Reino Unido.
Vamos as favas contadas! Haverá, como está havendo em todo o mundo, um avanço crescente da direita. Hoje me é sensível que soframos de um processo de desindustrialização, perdendo para o varejo virtual de todo tipo de produto industrializado importado com poucos impostos, preços competitivos, e todo tipo de conveniência em compra-los diretamente pela internet. No mesmo momento que os exportadores do agronegócio são remunerados em dólar, atingem um ponto de competitividade impar no Brasil, e devem partir inclusive e o quanto antes para agregar valor e vender hiper-processados para seus clientes em todo o mundo.
No frigir dos ovos, o campo, muito fortemente beneficiado hoje, tende desde a eleição municipal, e em toda a conformação da economia, a ganhar força junto de posições políticas mais a direita, como é fenômeno diverso mas de consequências semelhantes, em todo o mundo. Melhor dizendo, a mesma forma que a direita ganha força no mundo, por exemplo combatendo a imigração, ganhará força no Brasil na medida que se concentra mais poder no campo, e os grandes agrupamentos urbanos mais cosmopolitas e progressistas perdem espaço na política nacional, os ajuntamentos de polos industriais deixam de ser um força política relevante no Brasil, onde tomavam por exemplo a dianteira em politicas mais a esquerda.
A grande dificuldade está justamente aí, o “Não-Assunto”. Em larga medida existe para todos alguma dimensão do “Não-Assunto”. Seja o cantor sertanejo que quer ser presidente, seja o conjunto de medidas sociais de contenção da pobreza, que precisa se manter na pauta, e grosso de minhas reflexões vieram no sentido de que, o Presidente Lula se preocupando demasiadamente com uma série de questões geopolíticas, deixou de falar para o público interno sobre pautas que lhe seriam mais úteis e sólidas. Acho que é esse meu ponto de inflexão, não deve frequentar o discurso do Presidente Lula, como um hábito, sejam questões da Venezuela, sejam dos Estados Unidos, ou da Alemanha. Antes ter clareza solar que assim como os países da Europa, e não necessariamente pelos mesmos motivos, mas pela conformação econômica do país hoje, vamos todos a direita no curto ou longo prazo.
Manter a interlocução constante, com ambas as populações internas do Brasil, como a do campo e da cidade, é dos maiores desafios da atualidade, e sempre foi, em toda história, encontrar aliados na burguesia e até na aristocracia nacional, com preocupações domesticas as mais claras, fundadas e constantes, a cada dado de negociação entre os entes nacionais, que favoreçam por exemplo, como atores econômicos, o entendimento da defesa de frontes históricos do país, como há hoje, sempre repito, austeridade fiscal, deve haver algum nível de protecionismo, e até o cuidado demasiado com os momentos da produção de alto valor agregado que já atingimos e os que precisamos cobrar o atingimento, se extremamente rentável se faz um determinada atividade de exportação de commodities.
O “Não-Assunto” ou claramente, aquele sobre o qual o Brasil não tem ingerência, é a grande tentação de todos. É um tipo de recurso retórico, que na politica as vezes só gera polêmicas infrutíferas. Perde-se de proteger a industria nacional, perde-se de propagandear a austeridade fiscal, perde-se de propor para o campo que se industrialize e deixe de vender produtos “in natura”, quando esse está em pleno impulso. A discussão do inimigo externo é uma discussão falha de “Não-Assunto”, uma vez que nossos magistrados não são nem administradores, nem legisladores, e não devem ser formuladores de políticas. Restringir é um recurso contra quem pauta negativamente a discussão, mas não gera a gestão necessária de recursos que garanta o deslanchar e mais e mais politicas econômicas e sociais. E é disso que se trata, deslanchar mais e novas politicas sociais e industriais. Inclusive, na medida que nos for hipótese, de assegurar que as burguesias e aristocracias nacionais, se engajem na pauta do desenvolvimento nacional, de todos os tipos, inclusive de novos meios de comunicação.
Se os formadores de opinião dos centros urbanos, as elites urbanas conseguem se envolver na discussão nacional, evitando o “Não-Assunto” e a tentação do inimigo externo, de forma a transitarem de reclamante cliente internacional, para provedores de solução nacional. Se o produtor agrícola consegue identificar mais e mais oportunidades rentáveis de reduzir emissões de carbono, reciclar, e agregar valor. Essas discussões devem pautar os hábitos da cidade o do campo de forma crescente, com a constante exposição de oportunidades politicas e econômicas, que gerem protagonismo nacional em toda economia. Onde são problemas formativos e culturais, que carecem do hábito e dos meios, que construam contingentes populacionais orientados desde os bancos escolares para administrar esses dados críticos e oportunidades, que não vão se beneficiar de nenhuma espécie de proibição, ou da discussão de cortes agindo na contenção de danos.
Afinal, surfar a onda do que é assunto, formando e desenvolvendo internamente tudo que se oportuna como afirmação rentável e verdadeiramente estratégica do país, como é gritante a necessidade não só de um Ministro para Secom mas de uma geração experts em comunicação nas cidades, e de gênios do agro em agregar valor a excelência verde no campo. Completando todos os elos da corrente do agro e da mineração, das commodities, que se fortaleça a economia de uma forma espraiada pelas mais diversas atividades correlatas e nichos do desenvolvimento que se desenha e se sustenta hoje, bem como do que se demanda a consciência e da habilidade das elites urbanas em se comunicar pro ativa e propositivamente. É esse o assunto!
@CoexistenceLaw
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